Monthly Archives: janeiro 2016

As crianças do Glicério, em São Paulo, recriam e reencantam a metrópole

Não muito longe da Praça da Sé, às margens do rio Tamanduateí, a Baixada do Glicério é um microcosmo da metrópole paulistana. É a partir deste território, rico de etnias, culturas e afetos, que crianças de 0 a 12 anos estão recriando e reencantando a grande cidade, em função do Projeto Criança Fala na Comunidade – Escuta Glicério, da organização CriaCidade.
 
O objetivo do Projeto, que conta com o apoio de várias organizações e do Programa São Paulo Carinhosa, da Prefeitura de São Paulo, é muito simples, como destaca a socióloga Nayana Brettas, idealizadora do CriaCidade e coordenadora do Criança Fala.
 
“Trata-se de dar protagonismo à criança, através da escuta do que ela pensa, sente e deseja para a cidade onde mora”, explica Nayana, que trabalha há anos com política públicas na área da infância e juventude.
 
Formada em Ciências Sociais pela PUC-São Paulo e com mestrado em Sociologia da Infância pela Universidade do Minho, em Portugal, ela atuou por exemplo no projeto dos vídeos “Escutar as crianças” e “Escutar as crianças – Faça você mesmo”, realizados a partir da escuta de crianças do Distrito Federal.
 
Produzidos com a parceria da Secretaria da Criança do Distrito Federal e Organização Mundial para a Educação Pré-Escolar (Omep), os vídeos tiveram o apoio do Instituto C&A. O propósito foi ouvir as crianças, de modo a inserir sua visão na formulação de políticas públicas direcionadas à primeira infância no DF. Um dos resultados do trabalho foi o Plano Distrital pela Primeira Infância, já em vigor.
 
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“Brinquedão” montado a partir dos desejos das crianças

 
 
Mapeamento afetivo no Glicério – A experiência de escuta das crianças foi ampliada no Projeto Criança Fala na Comunidade – Escuta Glicério. Com o apoio do arquiteto Rodrigo de Moura e outros profissionais, foi construída uma metodologia de escuta das crianças, visando o “mapeamento afetivo” do bairro. “O propósito era que as próprias crianças identificassem os locais e equipamentos públicos que elas consideram mais importantes para elas, e que também contribuíssem para a ressignificação dos espaços, com sugestões de melhorias, de como deveria ser a cidade onde vivem”, relata Rodrigo.
 
Na prática, seria portanto a inversão da lógica emprega tradicionalmente no desenho das cidades. “Ainda há uma visão impositiva no planejamento urbano, com a implantação do olhar do arquiteto ou planejador. Ouvir as crianças, sobre como deveria ser a cidade que não foi feita para elas, é dar outra perspectiva”, comenta o arquiteto.
 
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Desenho de João Pedro, com seu mapa do Glicério

 
Desses conceitos nasceram as várias etapas do Projeto Criança Fala na Comunidade – Escuta Glicério. As crianças foram convidadas, inicialmente, a participar como guias de “passeios brincantes”, percursos pelo bairro pensados para que elas pudessem expressar sua percepção sobre o lugar onde vivem e convivem. E sempre com a participação em brincadeiras, o lúdico como ferramenta de análise, crítica e proposição.
 
O passo seguinte, ressalta Rodrigo de Moura, foi outro convite, para que as crianças formulassem um mapa individual do Glicério. Por meio de desenhos, elas contaram o que apontam de mais significativo no bairro e o que elas gostariam de transformar. O viaduto que divide o Glicério em dois, os cortiços, as poucas áreas de diversão foram alguns elementos evidenciados pelas crianças, através de seus desenhos.
 
Em uma terceira etapa, as crianças participaram, então, de um trabalho coletivo de mapeamento. Nesse momento foram identificados pontos em comum nos diversos relatos apresentados. São os espaços, as referências que as crianças demonstraram ter de forma compartilhada em seu cotidiano.
 
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O Mapa Afetivo do Glicério, desenhado com base na escuta das crianças

 
Entre outros, apareceram com destaque espaços como a rua Lins, conhecida como Vilinha, e do Duque, a escola do bairro. Mas também pontos como o próprio viaduto, a Igreja da Paz – onde são realizadas muitas atividades voltadas para os migrantes – e até a “Coxinha do Seu Valdomiro”, um quitute muito apreciado pelos moradores.
 
Com base no mapeamento, no (re)conhecimento sobre o lugar onde vivem, as crianças foram, também, convidadas ao exercício de redesenho, de requalificação do espaço urbano. Um dos resultados foi o “Brinquedão”, implantado coletivamente durante as ações do projeto. A Vilinha também foi reconfigurada, com o desenho no asfalto de linhas para jogo de amarelinha e outros, além de grafites que tornaram os muros mais coloridos.
 
Uma experiência coletiva, uma comunhão de afetos, a oportunidade para a expressão individual e compartilhada de sonhos e esperanças. O Projeto Criança Fala na Comunidade – Escuta Glicério foi determinante para um novo olhar da criança sobre a cidade e, segundo Nayana Brettas, terá continuidade com outras linhas de atuação.
 
A formação de lideranças locais, visando o empoderamento e o prosseguimento das ações, e o maior envolvimento das famílias são algumas das frentes previstas. Em discussão, igualmente, a formação de uma Rede de Crianças Transformadoras, voltada para o intercâmbio de percepções e experiências entre crianças moradoras de bairros com perfis sociais e econômicos distintos. Um maior envolvimento de universidades e pesquisadores, pelo fortalecimento conceitual e metodológico, é outro roteiro que pode ser trilhado.
 
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A mensagem de Thiffany: a cidade que ela sonha

 
“As crianças perceberam que é possível redesenhar o espaço onde vivem, é possível pensar locais mais interessantes para todos”, afirma Nayana, sintetizando aquele que, possivelmente, foi a principal consequência do projeto que tende a se expandir do Glicério para outros cantos, outras esquinas de convívio e troca.
 
Os passos do projeto foram documentados na publicação “O Glicério por suas crianças”, editada com apoio da Fundação Bernard van Leer, Unicef, Instituto C&A, Aldeias Infantis e SOS Brasil. Além de Nayana Brettas e Rodrigo de Moura, a equipe executora contou com a arquiteta e urbanista e fotógrafa Juliana Rosa, a pedagoga Estefânia Nazário, o pedagogo e psicopedagogo Beto Silva e a psicóloga Cristiane Lima. A publicação pode ser acessada no link:
http://issuu.com/portalaprendiz/docs/publica____o-online-glic__rio-por-s
 
 
 
 

22/01/16|

RNPI defende licença-paternidade para todos trabalhadores do país

A reivindicação ao Congresso Nacional da ampliação da licença-paternidade para todos trabalhadores brasileiros. Esta foi uma das conclusões do Seminário Nacional Paternidade e Primeira Infância, realizado pela Rede Nacional Primeira Infância (RNPI). A publicação e uma série de vídeos sobre o evento acabam de ser disponibilizados na Internet pela RNPI.
 
O Seminário Nacional Paternidade e Primeira Infância foi realizado nos dias 26 e 27 de agosto de 2015, no Rio de Janeiro, pelo Grupo de Trabalho Homens pela Primeira Infância e Secretaria Executiva/CECIP da RNPI. O propósito foi aprofundar a reflexão sobre a importância do cuidado dos homens com as crianças pequenas e suas implicações na família, bem como fortalecer a rede de apoio à pauta da ampliação da licença-paternidade e promover o intercâmbio de experiências sobre paternidade, cuidado e primeira infância.
 
Com a participação de vários atores sociais, o Seminário contou com a presença de pesquisadores, gestores e ativistas, além do depoimento de pais que, através de práticas inovadoras, estão rompendo paradigmas em termos do cuidado com as crianças. A publicação e a série de vídeos sobre o evento reúnem a síntese das apresentações e dos debates nas mesas realizadas durante o Seminário, e também depoimentos dos participantes.
 
Um dos vídeos apresenta os melhores momentos das apresentações e debates no primeiro dia no Seminário. Outros vídeos reproduzem entrevistas com Simone Valadares, da Secretaria Executiva da RNPI; com Aguinaldo Campos, da Aldeias Infantis SOS Brasil; com Marcus Renato de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e portal Aleitamento.Com; e com Viviane Castelo Branco, do Comitê Vida da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.
 
Diante da riqueza e importância das ideias discutidas durante o Seminário, o GT Homens pela Primeira Infância elaborou uma “carta aberta”, com várias recomendações para políticas públicas, como o pedido ao governo federal e governos municipais e estaduais, de ampliação da licença-paternidade aos seus respectivos servidores, além da reivindicação ao Congresso Nacional para que o benefício seja ampliado a todos trabalhadores brasileiros, em função dos impactos positivos em termos de cuidado e desenvolvimento integral das crianças. Atualmente, pela Constituição de 1988, a licença-paternidade é direito garantido, mas a licença é de cinco dias consecutivos. Projetos em tramitação no Congresso estipulam a ampliação da licença, para até 30 dias.
 
Na “carta aberta” também estão sugestões como o desenvolvimento de estratégias para que escolas, unidades de saúde e demais espaços de cuidado “sejam pensados também como ambiente masculino/paterno” e que sejam criadas condições, nestes mesmos espaços, para o “exercício do cuidado, por parte dos homens, como, por exemplo, a instalação de trocadores nos banheiros masculinos, a colocação de uma cadeira a mais nos consultórios de pré-natal e atenção à criança”.
 
O GT Homens pela Primeira Infância da RNPI entende que a redução da desigualdade de gêneros é justamente um dos principais argumentos para a ampliação da licença-paternidade, já observada, pelo período de 30 dias, em casos de servidores de alguns municípios –como Niterói e Macaé – e estados – como São Paulo. “O envolvimento dos homens no cuidado de filhos e filhas e na divisão das tarefas domésticas tem consequência para seus filhos e filhas, para as mulheres e para os próprios homens”, afirma o GT.
 
“A partir da ampliação da licença-paternidade, tende-se a um maior equilíbrio na divisão de responsabilidades entre o casal, na criação da criança e na manutenção da casa, já que a exclusividade do cuidado deixa de ser direcionada às mulheres e os filhos e filhas são entendidos/as como responsabilidade do casal. Quando a licença-paternidade é ampliada, consequentemente, amplia-se a divisão de tarefas de cuidado e a mulher pode dedicar mais tempo para si e para investir em sua carreira e no retorno ao mercado de trabalho”, acrescenta o Grupo de Trabalho Homens pela Primeira Infância da RNPI. A publicação e os vídeos sobre o Seminário estão em
http://primeirainfancia.org.br/videos-seminario-paternidade/
 
 
 

22/01/16|

Propostas para Base Nacional Comum podem ser enviadas até 15 de março

Termina no dia 15 de março o prazo para a apresentação de propostas, via Internet, ao texto da Base Nacional Comum Curricular, incluindo a área de Educação Infantil. Até o início de janeiro o portal aberto pelo Ministério da Educação havia recebido 9,8 milhões de contribuições.
 
Quando concluído o prazo de envio de contribuições, deverá estar concluída a maior consulta já realizada, em termos de número de sugestões, visando a construção de uma política pública. As sugestões podem ser enviadas por escolas públicas e particulares, professores, organizações da sociedade civil e cidadãos em geral.
 
Até o início de janeiro de 2016, mais de 34 mil escolas e 200 mil pessoas, sendo 166 mil professores, se cadastraram no site para remeter suas propostas. A Base Nacional Comum Curricular é prevista no Plano Nacional de Educação (PNE) como uma das estratégias para qualificar a educação no Brasil. O portal está localizado no endereço

http://basenacionalcomum.mec.gov.br/#/site/inicio

 
Educação Infantil – No âmbito da Educação Infantil, o texto preparado por uma equipe de especialistas, e que está em debate nacional, afirma: “A Educação Infantil em nosso país, nas últimas décadas, vem construindo uma nova concepção sobre como educar e como cuidar de crianças de zero a cinco anos em instituições educacionais. Essa concepção deve buscar romper com dois modos de atendimento fortemente marcados na história da Educação Infantil: o assistencialista, que desconsidera a especificidade educativa das crianças dessa faixa etária, e também o escolarizante, que se orienta, equivocadamente, por práticas do Ensino Fundamental”.
 
O texto assinala que as atuais Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil (DCNEI – Resolução CNE/CEB nº. 05/09, artigo 4º) definem a criança como “um sujeito histórico e de direitos, que brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e sobre a sociedade, produzindo cultura. O reconhecimento desse potencial aponta para o direito de as crianças terem acesso a processos de apropriação, de renovação e de articulação de saberes e conhecimentos, como requisito para a formação humana, para a participação social e para a cidadania, desde seu nascimento até seis anos de idade”.
 
Além disso, o documento nota que, “em uma ação complementar das instituições educativas com as famílias, a comunidade e o poder público, é imprescindível assegurar o direito das crianças à proteção, à saúde, à liberdade, à confiança, ao respeito, à dignidade, à cultura, às artes, à brincadeira, à convivência e à interação com outros/as meninos/as”.
 
Nesse sentido, o posicionamento em relação aos processos pedagógicos na Educação Infantil, de acordo com o texto em discussão, parte da concepção “de que a construção de conhecimentos pelas crianças nas unidades de Educação Infantil, urbanas e do campo, efetiva-se pela sua participação em diferentes práticas cotidianas nas quais interagem com parceiros adultos e companheiros de idade”.
 
Nesse processo é necessário reconhecer dois pontos, acrescenta o documento: “O primeiro diz respeito ao modo como as crianças pequenas se relacionam com o mundo, a especificidade dos recursos que utilizam, tais como a corporeidade, a linguagem, a emoção. Entender essa forma relacional e afetiva, muito ligada à vivência pessoal, em que se utiliza um reduzido uso de categorias para assinalar o que se conhece, é crucial a um trabalho na Educação Infantil. Nessa etapa, as crianças reagem ao mundo fortemente guiadas por suas emoções, buscam conhecer diferentes pessoas, adultos e crianças, adquirem maior autonomia para agir nas práticas cotidianas que envolvem as tarefas de alimentação, de higiene, na integração do educar e do cuidar. Nesse período etário, mais do que em qualquer outro, as interações e as brincadeiras, em especial as de faz de conta, são os principais mediadores das aprendizagens da criança e se fazem presentes em todo o tipo de situação: nas explorações de objetos e de elementos da natureza, no reconhecimento dos comportamentos dos parceiros, no acompanhamento de uma apresentação musical ou de uma história sendo contada”.
 
O segundo ponto, completa, “chama a atenção para o reconhecimento de que o conjunto dos discursos e das práticas cotidianas vivenciados nas instituições educacionais conforma um contexto que atua nos modos como as crianças e os adultos vivem, aprendem e são subjetivados, desde o nascimento, com fortes impactos para sua própria imagem e para o modo como se relacionam com os demais. Em função disso, o foco do trabalho pedagógico deve incluir a formação pela criança de uma visão plural de mundo e de um olhar que respeite as diversidades culturais, étnico-raciais, de gênero, de classe social das pessoas, apoiando as peculiaridades das crianças com deficiência, com altas habilidades/superdotação e com transtornos de desenvolvimento”.
 
Esses pontos, assinala o texto-base da BNCC, “guiam o modo de as crianças conhecerem o mundo social e físico e se apropriarem das diferentes linguagens e tecnologias que aí circulam e podem ajudá-las a desenvolver atitudes de solidariedade, de respeito aos demais e de sustentabilidade da vida na Terra. Para isso, elas precisam imergir nas situações, pesquisar características, tentar soluções, perguntar e responder a parceiros diversos, em um processo que é muito mais ligado às possibilidades abertas pelas interações infantis do que a um roteiro de ensino preparado apenas pelo/a professor/a. Daí que o currículo na Educação Infantil acontece na articulação dos saberes e das experiências das crianças com o conjunto de conhecimentos já sistematizados pela humanidade, ou seja, os patrimônios cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico (DCNEI, Art. 3º)”.
 
O documento destaca, ainda, os três princípios que devem guiar o projeto pedagógico da unidade de Educação Infantil propostos nas DCNEI (Resolução CNE/CEB 05/09, artigo 6º):


  • éticos (autonomia, responsabilidade, solidariedade, respeito ao bem-comum, ao meio ambiente e às diferentes culturas, identidades e singularidades);

  • políticos (direitos de cidadania, exercício da criticidade, respeito à ordem democrática);

  • estéticos (sensibilidade, criatividade, ludicidade, liberdade de expressão nas diferentes manifestações artísticas e culturais).


“Tais princípios embasam os temas, as metodologias e as relações que constituem o modo de gestão das turmas e das unidades e a programação dos ambientes no dia a dia da unidade de Educação Infantil”, ressalta o documento.
 
Direitos de aprendizagem – O documento em discussão, sobre a Base Nacional Comum Curricular, sinaliza ainda os Direitos de Aprendizagem na Educação Infantil, que seriam estes:):

  • CONVIVER democraticamente, com outras crianças e adultos, com eles interagir, utilizando diferentes linguagens, e ampliar o conhecimento e o respeito em relação à natureza, à cultura, às singularidades e às diferenças entre as pessoas;

  • BRINCAR cotidianamente de diversas formas e com diferentes parceiros, interagindo com as culturas infantis, construindo conhecimentos e desenvolvendo sua imaginação, sua criatividade, suas capacidades emocionais, motoras, cognitivas e relacionais;

  • PARTICIPAR, com protagonismo, tanto no planejamento como na realização das atividades recorrentes da vida cotidiana, na escolha das brincadeiras, dos materiais e dos ambientes, desenvolvendo linguagens e elaborando conhecimentos;

  • EXPLORAR movimentos, gestos, sons, palavras, histórias, objetos, elementos da natureza e do ambiente urbano e do campo, interagindo com diferentes grupos e ampliando seus saberes e linguagens;

  • COMUNICAR, com diferentes linguagens, opiniões, sentimentos e desejos, pedidos de ajuda, narrativas de experiências, registros de vivências e de conhecimentos, ao mesmo tempo em que aprende a compreender o que os outros lhe comunicam;

  • CONHECER-SE e construir sua identidade pessoal e cultural, constituindo uma imagem positiva de si e de seus grupos de pertencimento nas diversas interações e brincadeiras vivenciadas na instituição de Educação Infantil.


Campos de experiências – Em seguida, o texto da BNCC para a Educação Infantil evidencia os “campos de experiências e objetivos de aprendizagem na Educação Infantil”. Seriam “experiências concretas na vida cotidiana que levam à aprendizagem da cultura, pelo convívio no espaço coletivo, e à produção de narrativas, individuais e coletivas, por meio de diferentes linguagens, como colocam as DCNEI (Parecer CNE/CEB nº 20/09)”.
 
Os campos de experiência seriam: O Eu, o Outro e o Nós; Corpo, Gestos e Movimentos; Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação; Traços, Sons, Cores e Imagens; e Espaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações. Para cada um desses campos, o texto sugere um conjunto de ações, voltadas para propiciar o desenvolvimento integral das crianças.
 
O documento da BNCC também assinala a conexão dos campos de experiência com as quatro áreas de conhecimento da Base Nacional Comum Curricular: Linguagem, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza.
 
Os campos de experiências e seus objetivos de aprendizagem, conclui o documento, “deverão orientar o planejamento curricular dos sistemas de ensino e das unidades de Educação Infantil”. Como as aprendizagens configuram uma proposta integradora, nesse momento, não foram especificadas por etapa creche e pré-escola. São estas considerações que, na área de Educação Infantil, estão recebendo contribuições de todo país, no grande debate sobre a Base Nacional Comum Curricular, com prazo de envio até 15 de março.
 
 
 

22/01/16|

Começa o planejamento para o Projeto Político Pedagógico

Uma oficina realizada em Recife, no dia 19 de janeiro, marcou o início do planejamento de atividades para a construção do Projeto Político Pedagógico (PPP) das unidades de educação infantil nos municípios pernambucanos de Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe e São Lourenço da Mata. São os municípios parceiros do Fundo Juntos pela Educação no Programa Primeiro a Infância – Educação Infantil como prioridade.
 
O Programa Primeiro a Infância – Educação infantil como prioridade foi lançado no dia 23 de abril de 2015, em evento em Recife. Na primeira fase, relativa ao primeiro semestre de 2015, o Programa teve como foco a colaboração com os três municípios na construção de seus Planos Municipais de Educação, no que se refere à educação infantil.
 
A segunda fase do Programa Primeiro a Infância – Educação infantil como prioridade foi lançada no dia 20 de agosto, em São Lourenço da Mata. Nessa fase, o foco passou a ser o fortalecimento dos órgãos gestores dos três municípios e suas escolas de educação infantil, visando a construção de um documento norteador para a elaboração do PPP de cada unidade de educação infantil. O PPP é um documento de planejamento de cada unidade escolar que reúne seus objetivos, metas, estratégias e ações.
 
Em 2016, o foco principal será o acompanhamento da construção do Projeto Político Pedagógico pelas unidades de educação infantil dos municípios parceiros. A oficina de 19 de janeiro em Recife teve, então, o objetivo de iniciar o planejamento dos encontros de orientação das equipes escolares para a elaboração/revisão dos PPP.
 
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Oficina discutiu estratégias para promover participação na elaboração dos PPP

  
Diante desse objetivo geral, os participantes da oficina – gestores das unidades de educação infantil e membros das equipes das secretarias municipais de educação – vivenciaram metodologias e técnicas de facilitação e participação, que possam ser úteis às discussões para a elaboração dos PPP. Além disso, a oficina serviu para o desenho de estratégias para promover a participação social na discussão e elaboração dos PPP nas unidades escolares.
 
Coordenada pela Oficina Municipal, organização contratada pelo Fundo Juntos pela Educação para a implementação do Programa Primeiro a Infância – Educação Infantil como prioridade, a oficina na capital pernambucana foi igualmente um momento de avaliação das principais aprendizagens contabilizadas até o momento.
 
A construção da Avaliação Nacional da Educação Infantil é prevista no Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece, em sua Meta 1, item 1.6: “avaliação da educação infantil, a ser realizada a cada dois anos, com base em parâmetros nacionais de qualidade, a fim de aferir a infraestrutura física, o quadro de pessoal, as condições de gestão, os recursos pedagógicos, a situação de acessibilidade, entre outros indicadores relevantes”.
 
Como destaca Oneide Ferraz Alves, coordenadora da implementação do Programa pela Oficina Municipal, outras atividades serão realizadas no primeiro semestre de 2016, consolidando a preparação das secretarias municipais e unidades de educação infantil para a elaboração dos PPP, em consonância com os respectivos planos municipais de educação.
 
Entre fevereiro e maio serão realizados três encontros, alternados nos municípios parceiros, consolidando os subsídios à elaboração dos PPP nas instituições escolares. Em junho, será realizado um seminário de caráter regional, com as equipes dos órgãos gestores, visando a troca de experiências regionais e a divulgação do Programa na região e em todo estado de Pernambuco. O Programa Primeiro a Infância – Educação Infantil como prioridade será desenvolvido até 2017.
 
 
 

22/01/16|