Monthly Archives: maio 2016

Prêmio de Projetos com Participação Infantil tem nova edição

Foi prorrogado para o dia 6 de junho o encerramento das inscrições para a segunda edição do Prêmio Nacional de Projetos com Participação Infantil, uma iniciativa do Centro de Criação de Imagem Popular (CECIP) realizada com o apoio do Instituto C&A de Desenvolvimento Social e da Fundação Bernard van Leer, no âmbito do projeto Criança Pequena em Foco.
 
O Prêmio tem como objetivo valorizar, divulgar, promover e fortalecer discussões e práticas sobre processos de participação infantil no Brasil, dando visibilidade às melhores experiências e estimulando que estas sejam reeditadas. Segundo o regulamento, compreendem-se como processos de participação infantil “aqueles que incluem as crianças em uma ou mais etapas de sua elaboração e desenvolvimento, garantindo-lhes espaço e autonomia para expressarem ao seu modo suas opiniões e tomarem parte nas decisões, desenvolvendo assim seu papel como cidadãs ativas, em diálogo e interação com os adultos”.
 
Poderão concorrer ao 2º Prêmio Nacional de Projetos com Participação Infantil, desta o regulamento, organizações públicas e privadas (como associações, cooperativas, fundações, entre outras) que comprovem sua existência de atuação há pelo menos 1 (um) ano. Poderão se inscrever os projetos que incluam processos participativos com crianças entre 1 (um) e 12 (doze) anos completos, em todo território nacional.
 
Cada instituição poderá apresentar até 2 (dois) projetos, desde que especifique a distinção entre eles, e assegure ser a detentora da titularidade dos direitos intelectuais e dos direitos de imagem do(s) projeto(s) e de todos os materiais que o(s) integram, ficando ressalvado que somente 1 (um) projeto de cada instituição participante poderá ser premiado.
 
O regulamento estipula ainda que serão considerados aptos a participar do Prêmio projetos que atuem em diversos contextos e/ou temáticas, tais como: a) Família; b) Escolas; c) Vida social – comunidade, bairro, cidade, país; d) Processos administrativos e judiciários; e) Esferas de atuação do poder público; f) Comunicação; g) Cultura; h) Esportes; i) Espaços de Lazer; j) Educação formal e informal; k) Desenvolvimento social. Poderão se inscrever projetos em curso há mais de 12 (doze) meses.
 
Mais informações e inscrições (que também poderão ser feitas pelo Correio) no site: www.premioparticipacaoinfantil.org.br
 
 
 
 

31/05/16|

Mostra Internacional das Semanas do Bebê destaca as experiências de seis municípios

Os municípios de Sobral e Maracanaú, no Ceará, Jaboatão dos Guararapes e Petrolina, em Pernambuco, e Major Sales e Guamaré, no Rio Grande do Norte, foram os selecionados para apresentar suas experiências em painel na III Mostra Internacional das Semanas do Bebê, entre os dias 23 e 26 de maio, em Recife (PE), em realização do UNICEF-Brasil. Outros 14 municípios também tiveram oportunidade de divulgar suas ações.
 
O processo seletivo contou com a participação de 85 municípios de diversas regiões do Brasil que já realizaram Semanas do Bebê. A avaliação foi feita por um grupo de especialistas das áreas de saúde, educação e desenvolvimento infantil que representam o UNICEF e as organizações parceiras: Governo do Estado de Pernambuco, Governo Municipal do Recife e Fundação Maria Cecília Souto Vidigal.
 
Os critérios de avaliação consideravam a narrativa clara e objetiva do processo de planejamento, a capacidade de mobilização, a efetividade na divulgação, implementação de atividades diversificadas – envolvendo o maior número de segmentos do governo e da sociedade civil – e indicadores de desempenho. O processo de avaliação também destinou maior pontuação para ações inovadoras e a oficialização da Semana do Bebê no calendário do município, por meio de Lei Municipal ou Lei Estadual.
 
A programação da III Mostra Internacional das Semanas do Bebê contou ainda com rodas de conversa, mesas redondas, cine-debate, atividades culturais e artísticas. Para a apresentação de experiências internacionais, foram convidados representantes de Portugal e da Inglaterra. Outras 20 experiências, que ficaram entre o 7º e 27º lugar no processo seletivo, tiveram espaços nos estandes para divulgação de informações. Estes são os 20 municípios que foram escolhidos para participar da Mostra:
 
Municípios - UF
Aracati - CE
Arcoverde - PE
Beberibe - CE
Bezerros - PE
Cabedelo - PB
Caruaru - PE
Chapadinha - MA
Codó - MA
Colatina - ES
Eusébio - CE
Faria Brito - CE
Horizonte - CE
Juazeiro - BA
Marechal Thaumaturgo - AC
Orós - CE
Santa Cruz - RN
Santa Terezinha - PE
São Caetano - PE
Tauá - CE
Vitória - ES
 
Segundo o UNICEF, a III Mostra Internacional das Semanas do Bebê teve o objetivo de promover o intercâmbio de experiências entre países, Estados e municípios brasileiros e discutir as formas mais efetivas de fazer com que a Semana do Bebê contribua com a garantia dos direitos da primeira infância.
Durante a Mostra foi exibido o filme “O Começo da Vida”, da diretora Estela Renner, que aborda a importância dos primeiros anos de vida. O filme foi apresentado em uma sessão especial, seguida de um debate com representantes do UNICEF e da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, dois dos realizadores do filme.
 
Semana do Bebê – A Semana do Bebê é uma das principais estratégias do UNICEF para assegurar a atenção adequada a crianças de até 6 anos de idade. Tem como objetivo tornar o direito à sobrevivência e ao desenvolvimento infantil uma prioridade na agenda dos municípios brasileiros. Em 2015, o UNICEF apoiou a realização de 450 Semanas do Bebê em todo o Brasil, alcançando mais de 850 mil crianças de até 4 anos. Trinta e oito municípios receberam apoio do UNICEF para realizar 5.270 atividades e treinamentos envolvendo 33.296 profissionais de saúde, proteção e educação. Durante toda a trajetória da iniciativa, já foram realizadas 904 Semanas dos Bebês, em 600 municípios, onde vivem mais de 2,4 milhões de crianças de 0 a 4 anos, segundo o IBGE.
 
Idealizada pelos professores Odon Frederico Cavalcanti Carneiro Monteiro e Salvador Célia e pelo radialista Pedro Raymundo Dias, a Semana do Bebê começou em 1999, no município de Canela (RS). Ao longo desses anos, a Semana do Bebê deixou como legado o aprendizado do trabalho em rede, uma realidade sem possibilidades de retrocesso no município, e um novo olhar em relação ao bebê. Desde 2011, com apoio do UNICEF, a iniciativa é realizada em âmbito nacional.
 
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) promove os direitos e o bem-estar de cada criança em tudo o que faz. Com seus parceiros, trabalha em 190 países e territórios para transformar esse compromisso em ações concretas que beneficiem todas as crianças, em qualquer parte do mundo, concentrando especialmente seus esforços para chegar às crianças mais vulneráveis e excluídas.
 
 
 
 

31/05/16|

País debate nova versão da BNCC e o Sistema de Avaliação da Educação Básica

A segunda versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Sistema de Avaliação da Educação Básica, ambos apresentados pelo Ministério da Educação na primeira semana de maio, já estão sendo discutidos pela comunidade educativa em todo país. A BNCC e o Sistema de Avaliação têm impacto direto nos rumos da educação infantil.
 
No dia 3 de maio o Ministério da Educação divulgou a segunda versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O documento contempla as observações e contribuições feitas à versão preliminar, divulgada a 16 de setembro de 2015. Essa primeira versão recebeu 12 milhões de contribuições, até 15 de março de 2016, resultando na segunda versão, agora apresentada.
 
A segunda versão será submetida a seminários nas redes estaduais e municipais de ensino antes da versão final que será discutida e definida pelo Conselho Nacional de Educação. O Plano Nacional de Educação (PNE) previa o mês de junho de 2016 como prazo final de conclusão da BNCC, mas a meta não será cumprida.
 
Educação Infantil – Na área da Educação Infantil, a segunda versão da BNCC praticamente mantém as linhas da primeira versão, mas foram igualmente incorporadas contribuições encaminhadas pela comunidade de educadores e sociedade civil.
 
O documento nota que a Educação Infantil se constituiu como dever do Estado e direito de todas as crianças, desde o nascimento, a partir da Constituição Federal (1988), enquanto sua inclusão nos sistemas de ensino, como primeira etapa da Educação Básica, foi normatizada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nº. 9394/96.
 
Seguindo orientações dessa lei, em 1999, foram elaboradas, pelo Conselho Nacional de Educação, as primeiras Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil (DCNEI) revisadas, posteriormente, pela Resolução CNE/CEB nº. 05/2009.
 
Nesse momento, assinala a segunda versão da BNCC, o desafio colocado pela alteração da LDB, em 2013, foi “a inserção da Educação Infantil na definição da Base Nacional Comum Curricular da Educação Básica, apresentando direitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento para essa etapa”.
 
Parte significativa desse desafio, observa o documento, foi enfrentada nas atuais DCNEI, “que definem concepções de criança e de infância, instituições de Educação Infantil, proposta pedagógica e currículo e estabelecem a função sociopolítica e pedagógica das instituições de Educação Infantil”.
 
Nas últimas décadas, lembra a segunda versão da Base Nacional Comum Curricular, a área da Educação Infantil vem consolidando uma nova concepção sobre como educar e cuidar de crianças pequenas em instituições educacionais, “assegurando a educação em sua integralidade, entendendo o cuidado como algo indissociável do processo educativo”.
 
Essa concepção, complementa o documento, “busca romper com dois modos de atendimento fortemente marcados na história da Educação Infantil: o que desconsidera o potencial educativo das crianças dessa faixa etária, limitando-se a tarefas de controle e de guarda e, também, o que se orienta por práticas descontextualizadas, centradas em conteúdos fragmentados e na decisão exclusiva do/a professor/a”.
 
Relações entre BNCC com as diretrizes curriculares da Educação Infantil – As atuais Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil, nota a segunda versão da BNCC, definem “a criança como um sujeito histórico e de direitos, que interage, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura” (DCNEI — Resolução CNE/CEB nº. 05/09, artigo 4).
 
Com base nessa concepção podem ser estabelecidas, então, as relações da BNCC com as diretrizes curriculares da Educação Infantil. E valorizando as especificidades da etapa e reiterando consensos sobre currículo já expressos nas DCNEI, a segunda versão da BNCC propõe que uma organização curricular para a Educação Infantil deve ser constituída a partir de cinco aspectos:
 
- Princípios da Educação Infantil – Os três grandes princípios que devem guiar o projeto pedagógico da unidade de Educação Infantil: éticos (autonomia, responsabilidade, solidariedade, respeito ao bem-comum, ao meio ambiente e às diferentes culturas, identidades e singularidades); políticos (direitos de cidadania, exercício da criticidade, respeito à ordem democrática); estéticos (sensibilidade, criatividade, ludicidade, liberdade de expressão nas diferentes manifestações artísticas e culturais) (DCNEI, Art. 6º).
 
- Cuidar e Educar – A indissociabilidade do educar e cuidar, pressuposto da Educação Básica como um todo, é um compromisso com a integralidade da educação 57 dos sujeitos e de sensibilidade e responsabilidade com o futuro da humanidade e do planeta (DCNEI, Art. 8º).
 
- Interações e Brincadeiras – Tendo em vista a centralidade do brincar e dos relacionamentos na vida das crianças pequenas, esses dois eixos possibilitam as aprendizagens, o desenvolvimento e a socialização das crianças na Educação Infantil (DCNEI, Art.9º).
 
- Seleção de práticas, saberes e conhecimentos - A seleção de práticas sociais, saberes e conhecimentos significativos e contextualmente relevantes para as novas gerações é uma obrigação da escola em uma sociedade complexa. As experiências que emergem da vida cotidiana dão origem aos conhecimentos a serem compartilhados e reelaborados. As propostas curriculares, em seus discursos e na sua operacionalização, também constituem as subjetividades de crianças e dos adultos, pois a formação pessoal e social não está dissociado da formação do mundo físico, natural e social (DCNEI, Art. 8º e 9º).
 
- Centralidade das crianças – A atitude de acolhimento das singularidades dos bebês e das crianças e a criação de espaço para a constituição de culturas infantis definem a centralidade da criança. As diversidades culturais, sociais, etárias, étnico-raciais, econômicas e políticas de suas famílias e comunidades, presentes em sua vida, precisam ser contempladas nos projetos educacionais (DCNEI, Art.4º).
 
São estes cinco aspectos, salienta a nova versão da BNCC, “que embasam as relações pedagógicas, os cuidados, assim como os temas, as metodologias e proposições que constituem o modo de gestão dos grupos de crianças e da instituição, além da programação dos ambientes no dia a dia da unidade de Educação Infantil, ou seja, o seu currículo”.
 
Currículo para a Educação Infantil – No caso do currículo de Educação Infantil no Brasil, continua a segunda versão da Base Nacional Comum Curricular, as DCNEI definem a brincadeira e as interações como eixos que orientam as práticas pedagógicas.
“A experiência de brincar, em interação com adultos e crianças, é a grande característica da experiência infantil e fundamental para que as crianças possam constituir-se como seres humanos e elaborar contínua e permanentemente aprendizagens sobre o mundo social e natural”, afirma o documento, acrescentando que o currículo pode ser então organizado “a partir dos conteúdos da experiência da criança e continuar em direção ao conteúdo dos programas definidos pelas escolas, ou seja, ambos pertencem ao mesmo processo de formação humana”.
 
Os Campos de Experiências, evidencia o documento, constituem um arranjo curricular adequado à educação da criança de 0 a 5 anos e 11 meses quando certas experiências, por ela vivenciadas, promovem a apropriação de conhecimentos relevantes.
 
Diz a BNCC: “A escola tem um papel importante na atribuição de sentidos às diversas situações concretas que as crianças vivenciam. Por isso, os campos de experiências acolhem as situações e as experiências concretas da vida cotidiana das crianças e seus saberes, entrelaçando-os aos conhecimentos que fazem parte de nosso patrimônio cultural. Os Campos de Experiências colocam, no centro do processo educativo, as interações e as brincadeiras, das quais emergem as significações, as observações, os questionamentos, as investigações, os posicionamentos e outras ações das crianças. As experiências, geralmente interdisciplinares, podem ser pensadas e propostas na interseção entre os campos de experiência”.
 
Na definição e denominação dos Campos de Experiências na Base Nacional Comum Curricular para a Educação Infantil, frisa o documento, mais uma vez partiu-se do que dispõem as DCNEI em relação aos saberes e conhecimentos fundamentais a serem propiciados às crianças, associados às suas experiências.
 
Considerando esses saberes e conhecimentos, os CAMPOS DE EXPERIÊNCIAS em que se organiza a BNCC para a Educação Infantil são:
 
- O eu, o outro e o nós;
- Corpo, gestos e movimentos;
- Traços, sons, cores e imagens;
- Escuta, fala, linguagem e pensamento;
- Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações.

 
A segunda versão da BNCC enumera, enfim, indicações de Objetivos de Aprendizagem, relacionados a cada um desses cinco Campos de Experiências, e considerando as faixas etárias de Bebês, Crianças bem pequenas e Crianças pequenas.
 
O documento que voltará para debate nas redes de ensino, antes da compilação a ser remetida ao Conselho Nacional da Educação, conclui notando que ao sistema educacional cabe garantir as condições necessárias ao trabalho pedagógico na Educação Infantil: “a organização de espaços que ofereçam às crianças oportunidades de interação, exploração e descobertas; o acesso a materiais diversificados, geradores de enredos para as explorações, para as produções e para as brincadeiras infantis e a gestão do tempo, proporcionando uma jornada que lhes dê o tempo necessário para viverem suas experiências cotidianas, valorizando especialmente as oportunidades de estabelecer relações de cuidados de si e do outro, nas interações e brincadeiras”.
 
A formação dos professores e das professoras é, também, adverte o documento, “condição fundamental para a exequibilidade do que se propõe como base comum dos currículos para a educação infantil. Cabe, ainda, às instituições de Educação Infantil, prover subsídios para pensar formas de acompanhamento e de avaliação do trabalho com as crianças no que se refere ao que foi aqui exposto. Vale destacar que essas condições, necessárias ao trabalho pedagógico com as crianças, só serão possíveis se houver incentivos para a formação inicial e continuada de qualidade, específica para as/os professoras/es dessa primeira etapa da Educação Básica”.
 
Avaliação - No dia 5 de maio, dois dias, portanto, depois da divulgação da nova versão da BNCC, o Ministério da Educação apresentou o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Sinaeb), que inclui a criação da Avaliação Nacional da Educação Infantil (Anei).
 
O Sinaeb amplia os indicadores educacionais existentes e tem entre seus objetivos qualificar a gestão escolar, diminuir as desigualdade no ensino e investir na formação docente. Segundo o Ministério da Educação, no momento de anúncio do Sistema, o Sinaeb busca corrigir desigualdades na avaliação educacional. Com esse propósito o Sistema inclui a análise da universalização do atendimento escolar, a valorização dos profissionais da educação e a gestão democrática, além de sugerir caminhos de superação das dificuldades educacionais.
 
A Avaliação Nacional da Educação Infantil (Anei) foi lançada com a previsão de acontecer de dois em dois anos. O primeiro ciclo avaliativo começará em 2017 e vai contemplar diagnósticos sobre as condições de oferta da educação infantil pelos sistemas de ensino público e particular do País. A Anei é fruto de ampla discussão na comunidade da Educação Infantil.
 
O tema foi discutido, por exemplo, no Seminário Nacional Currículo e Avaliação da Educação Infantil, realizado pela Rede Nacional Primeira Infância (RNPI) no final de setembro no Rio de Janeiro, no auditório da Biblioteca Parque Estadual, como informou o Fundo Juntos pela Educação, ver em:
http://juntospelaeducacao.com.br/entidades-debatem-educacao-infantil-na-base-nacional-comum-curricular
 
 
 

31/05/16|

Educação Infantil: escolas de Pernambuco avançam na construção participativa do PPP

As unidades de educação infantil dos municípios pernambucanos de Camaragibe, Cabo de Santo Agostinho e São Lourenço da Mata estão intensificando nestes meses de maio e junho a construção participativa de seu Projeto Político Pedagógico (PPP). É o novo momento do Programa Primeiro a Infância – Educação infantil como prioridade, do Fundo Juntos pela Educação, constituído pelo Instituto Arcor Brasil e Instituto C&A.
 
O propósito é o de construção do PPP, de forma efetivamente participativa e em sintonia com os respectivos Planos Municipais de Educação, pelas 152 unidades de educação infantil mantidas nos três municípios pernambucanos, sendo 18 creches, 19 de creches em conjunto com pré-escola e 115 de pré-escola em conjunto com escolas de ensino fundamental.
 
Os PPP das 152 unidades vão abranger as diretrizes e práticas em educação infantil relacionadas a um universo de mais de 8.100 crianças, 1823 das quais, de 0 a três anos, matriculadas em creches, e 6319, de 4 e 5 anos, inscritas em unidades de educação infantil. O processo todo é coordenado pela Oficina Municipal, contratada do Fundo Juntos pela Educação para implementar o Programa Primeiro a Infância – Educação infantil como prioridade.
 
Camaragibe – Em Camaragibe, como destaca a diretora de ensino da Secretaria Municipal de Educação, Edilma Luz, o processo de montagem do PPP de cada unidade de educação infantil segue três etapas. A primeira etapa, explica, consistiu na formação de um Comitê Escolar, em todas as unidades, por representantes de cada um dos segmentos da comunidade escolar, como alunos, pais, sociedade civil e gestão.
 
Este Comitê Escolar, eleito diretamente em cada escola, ficou então com a incumbência de discutir com a respectiva comunidade a Introdução, Caracterização e Apresentação do PPP. É a etapa, então, de mostrar à comunidade da escola o que significa o PPP e a importância da sua construção de forma participativa.
 
Terminada a primeira etapa, o que resultou na elaboração de um documento preliminar em cada escola, teve início a segunda, caracterizada pela discussão ampla sobre os conceitos pedagógicos e filosóficos, os parâmetros que devem ser seguidos para a formulação do PPP de cada uma das unidades de educação infantil em Camaragibe.
 
Um dos subsídios importantes utilizados nessa etapa, informa a diretora de ensino Edilma Luz, foi o livro “Coordenação do trabalho pedagógico: do PPP ao cotidiano em sala de aula”, de Celso Vasconcellos. Foram igualmente considerados, acrescenta, o Plano Nacional de Educação (PNE), a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e a própria Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que está em discussão em todo país.
 
Nesta segunda etapa, portanto, destaca a diretora, foram discutidos pontos fundamentais para a formulação de um PPP, como “o que a escola acredita” e “qual a concepção de aluno”, entre outros. A etapa foi cumprida com a construção do Marco Referencial, do Marco Situacional e do Marco Operativo, que serão as linhas mestras do PPP das unidades de educação infantil de Camaragibe.
 
O Marco Referencial foi o próprio trabalho de debate da filosofia, das concepções de cada escola, com base nos subsídios citados e em autores que são referências obrigatórias, como Vigotsky e Piaget. O Marco Situacional, por sua vez, contempla o diagnóstico da escola, o “levantamento de sua situação real”, diz Edilma Luz. E o Marco Operativo reúne as ações, metas e estratégicas traçadas para colocar em prática o Projeto Político Pedagógico.
 
A segunda etapa também já foi cumprida, assinala a diretora de ensino. A terceira etapa, que terá início no começo de junho, é a da discussão da avaliação do PPP. Será a definição de como ele será avaliado pela comunidade escolar, de modo que seja sempre aprimorado. Já foi definido, esclarece a diretora, que o PPP das unidades de educação infantil terão o prazo de seis anos, com uma avaliação semestral.
 
Um ponto importante do processo, complementa Edilma Luz, foi a definição de que os diretores das creches e centros municipais de educação infantil seriam “a voz das crianças pequeninas”. Os diretores ficaram, assim, responsáveis por ouvir as crianças, sentir e apurar os seus desejos, anseios e visões. A perspectiva, portanto, é de conclusão do processo de construção do PPP das unidades de educação infantil em Camaragibe no primeiro semestre de 2016.
 
São Lourenço da Mata – O processo de construção do PPP das unidades de educação infantil em São Lourenço da Mata, assim como nos outros dois municípios parceiros do Programa Primeiro a Infância – Educação infantil como prioridade, começou já em 2015, com a elaboração do marco referencial para o Projeto Político Pedagógico, como lembra Marize das Graças da Silva Duarte. Ela e Miriam José Bandeira da Silva são técnicas da Secretaria Municipal de Educação, responsáveis pela rede de educação infantil. “Houve muita reflexão, em várias reuniões, com pesquisas em diversas fontes sobre o PPP”, recorda Marize.
 
Após a definição do marco referencial, que considerou o Plano Municipal de Educação – que também contou com a colaboração do Programa Primeiro a Infância na esfera da educação infantil – a discussão foi para as escolas, acrescenta Marize. Nas escolas, o PPP foi então debatido primeiro com a comunidade interna. “Participaram todos, dos gestores e professores ao pessoal da merenda e vigias. Era o momento de esclarecer o que é um PPP, qual a sua importância e papel para fortalecer a escola”, observa a técnica.
 
Em seguida a discussão sobre o PPP passou a envolver toda a comunidade escolar. Como forma de facilitar o processo, as 45 unidades de educação infantil do município foram divididas em seis núcleos, sendo dois da zona rural. “Participa toda a comunidade, inclusive pessoal da saúde, representante do Poder Legislativo e da Polícia”, nota Marize.
 
Depois desse processo participativo, a documentação retornará para a Secretaria Municipal de Educação, visando a fase final da trajetória. A expectativa é de conclusão do PPP das unidades de educação infantil em São Lourenço da Mata até o final de junho, para que comecem a ser implementados no segundo semestre.
 
Cabo de Santo Agostinho – Em Cabo de Santo Agostinho, o Programa Primeiro a Infância – Educação infantil como prioridade tem sido fundamental para o “entendimento da importância de participação de todos os setores que compõem a escola na construção do seu PPP”, afirma a gerente de ensino da Secretaria Municipal de Educação, Benedita Verônica Gomes da Costa. “É muito importante mostrar por que é preciso escutar as associações de moradores, as ongs envolvidas com a escola, da mesma maneira que é necessário ouvir as famílias, os alunos e os educadores”, ela acrescenta.
 
Da mesma maneira, diz a gerente de ensino, o Programa Primeiro a Infância tem sido muito relevante para “ampliar a compreensão da importância da educação infantil como etapa essencial no desenvolvimento das crianças e de toda a comunidade onde elas vivem, e nesse sentido sobre como é importante para as redes de ensino ofertar uma educação infantil de qualidade”.
 
A expectativa de todos os envolvidos no processo de construção do PPP das unidades de educação infantil em Cabo de Santo Agostinho, conclui a gerente de ensino, é a de que o Projeto Político Pedagógico “não seja apenas um documento bonito, mas um documento vivo, refletindo realmente como a comunidade considera importante uma educação infantil democrática e de qualidade”.
 
 
 
 

31/05/16|