Monthly Archives: dezembro 2017

Novo ciclo de Programa de Educação Infantil foi lançado em Rio das Pedras

O segundo ciclo do Programa Primeiro a Infância – Educação Infantil como Prioridade, do Fundo Juntos pela Educação, será implementado em seis municípios do interior de São Paulo: Capivari, Mombuca, Monte Mor, Rafard, Rio das Pedras e Saltinho. A apresentação do Programa aconteceu nesta quinta-feira, dia 14 de dezembro, no Centro Pedagógico da Secretaria Municipal de Educação de Rio das Pedras.
 
O objetivo do segundo ciclo do Programa Primeiro a Infância será a contribuição para a qualificação da Educação Infantil nos municípios parceiros, em sintonia com as metas e estratégias dos respectivos Planos Municipais de Educação. Juntos os seis municípios somam mais de 160 mil moradores, de acordo com as estimativas da Fundação Seade.
 
No evento deste dia 14 de dezembro, estiveram presentes a prefeita de Mombuca, Maria Ruth Bellanga de Oliveira, e secretários e diretores de Educação dos demais municípios parceiros do Programa. A diretora-executiva do Instituto Arcor Brasil, Célia Ribeiro de Aguiar, agradeceu a parceria com os municípios e reiterou a importância que o Fundo Juntos pela Educação dá para a Educação Infantil, como etapa fundamental para o desenvolvimento humano.
 
A execução do novo ciclo do Programa Primeiro a Infância nos seis municípios foi detalhada por Gustavo Adolfo Santos, gerente de programas da Oficina Municipal, contratada pelo Fundo Juntos pela Educação para coordenar e implementar a iniciativa, que vai se estender ao longo de todo o ano de 2018.
 
A relevância do investimento na infância foi destacada em conferência da pesquisadora e pedagoga Mônica Samia, da organização Avante, de Salvador (BA). Em seguida, os mais de 30 gestores e educadores presentes participaram de discussões em grupos sobre a situação e perspectivas da Educação Infantil nos seis municípios que participarão do novo ciclo do Programa Primeiro a Infância – Educação Infantil como Prioridade. O primeiro ciclo do Programa aconteceu nos municípios pernambucanos de Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe e São Lourenço da Mata, entre 2015 e 2017.
 
 
 
 

18/12/17|

A Educação Infantil como etapa do desenvolvimento, segundo Maria Thereza Marcílio

A importância da Educação Infantil como etapa de desenvolvimento do ser humano. Este foi o tema da palestra da especialista Maria Thereza Marcílio, durante o seminário no dia 28 de novembro, no auditório da Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata. Maria Thereza Marcílio já foi secretária-executiva da Rede Nacional Primeira Infância (RNPI).
 
A concepção de infância da forma como a compreendemos hoje é muito recente na história da humanidade, lembrou a especialista. Durante muito tempo, destacou, a criança foi vista como um ser incompleto e sem direitos. “A visão de que a criança é um ser humano pleno de direitos é muito nova”, comentou.
 
“A infância não é a idade da não fala, e sim das múltiplas linguagens”, afirmou. “Também não é a idade da não razão, mas de outras formas de racionalidade, nas interações com outras crianças, na incorporação dos afetos, das fantasias e da vinculação ao real”, complementou. Também observou que a infância “não é a idade do não trabalho, todas crianças trabalham nas múltiplas tarefas do seu cotidiano”.
 
A especialista reforçou em seguida a afirmação de que a infância contempla múltiplas linguagens. “A linguagem é toda e qualquer forma de expressão e comunicação inventada pelo homem ao longo da humanidade, é portanto uma construção social. As diferentes formas de linguagem possibilitam as interações das crianças com a natureza e a cultura, para que possam construir sua subjetividade e se constituir como sujeitos sociais”, ressaltou.
 
Importância da educação na primeira infância – Maria Thereza Marcilio comentou na sequência a importância da educação na primeira infância. Para ela, existem alguns princípios constituidores da pedagogia da infância. Em primeiro lugar, o reconhecimento do espaço educativo como “lugar de direito da criança”.
 
A “valorização da cultura da infância”, a “valorização das interações sociais diversificadas, dos registros e da avaliação” e as “relações entre instituição educativa, família e comunidade” são outros desses princípios, que se complementam ainda, segundo ela, com a organização dos grupos, dos espaços e materiais, o cuidado com a construção da identidade das crianças e a importância do brincar e da exploração das múltiplas linguagens.
 
Com base no conjunto desses princípios, ressaltou, a Educação Infantil seria “o espaço onde as práticas educativas conjugam o cuidar e o educar como duas faces da mesma ação”. Assim, advertiu, a Educação Infantil “não deve ter uma função assistencialista, compensatória de supostas deficiências, ou preparatória, mas deve assegurar que a criança cresça com igualdade de condições para se desenvolver plena e satisfatoriamente”.
 
Aprofundando a discussão sobre as práticas na Educação Infantil, Maria Thereza Marcílio acentuou que o currículo deve ser centrado na criança. “Depende de um adulto sensível, centrado nas necessidades e desejos da criança. Que ouça mais e fale menos, que saia do centro e deixe que elas se manifestem e possam ensinar o que precisam aprender para viver”, detalhou, sobre a postura do educador com as crianças.
 
Outro ponto fundamental, sustentou, é que as experiências com as linguagens oral, corporal, musical, plástica, escrita, entre outras, “devem ser planejadas com a intencionalidade de garantir às crianças o direito de acessar os elementos culturais produzidos pela coletividade na qual está inserida, bem como os bens culturais universais”.
 
E a especialista evidenciou o lugar central que a brincadeira deve ter na Educação Infantil. “Porque brincar nos conecta com outros e conosco mesmos. Porque a fantasia como uma recriação da realidade traz um novo olhar para a mesma realidade. Porque brincar é um processo de autoreconhecimento e de reconhecimento de outros que nos permite viver. Porque brincar é importante para a criança lidar com regras e porque traz à luz tesouros criados pela humanidade, as memórias compartilhadas”, justificou Maria Thereza Marcílio. Evitar o brincar, finalizou, “é um ataque à cultura”.
 
 
 
 

18/12/17|

Municípios apresentam a trajetória do Programa e envolvimento da comunidade

Um dos momentos marcantes do seminário de 28 de novembro foi a apresentação pelas Secretarias Municipais de Educação da trajetória do Programa Primeiro a Infância em seus territórios. Foram enfatizados os desafios encontrados e superados e as estratégias utilizadas para o envolvimento da comunidade na reelaboração do Projeto Político Pedagógico das unidades de Educação Infantil.
 
Cabo de Santo Agostinho – A equipe da Secretaria Municipal de Educação (SME) de Cabo de Santo Agostinho avaliou que o Programa contribuiu para a maior interação com as unidades de educação por meio de encontros formativos, acompanhamento pedagógico nas escolas e suporte técnico na revisão do PPP das unidades de Educação Infantil.
 
As representantes da SME de Cabo de Santo Agostinho evidenciaram, ainda, que o Programa Primeiro a Infância contribuiu com a melhor caracterização do Projeto Político Pedagógico como processo de diagnóstico, planejamento e tomada de decisões nas unidades escolares. Para elas, a revisão dos PPP, com a participação da comunidade, permitiu uma melhor caracterização das unidades de educação e a construção de um Plano de Ação mais eficiente. O Programa também foi determinante para uma melhor compreensão da articulação entre os PPP das unidades escolares e o Plano Plurianual do município.
 
Outro ponto destacado foi a transformação de concepções e práticas pedagógicas em relação à Educação Infantil. Esta modificação foi verificada, segundo a equipe da SME de Cabo de Santo Agostinho, por meio de um maior conhecimento de concepções sobre a criança, do reconhecimento da criança como protagonista do processo educacional, de práticas pedagógicas mais construtivas por meio de projetos didáticos e da consciência da importância da articulação entre o cuidar, o brincar e o educar.
 
Um depoimento especial foi dado por Analice Pereira de Souza, que participou de toda a trajetória do Programa Primeiro a Infância em Cabo de Santo Agostinho. Ela reconheceu que, inicialmente, viu com desconfiança as propostas do Programa, mas a opinião mudou com os processos desencadeados, sobretudo em termos da participação da comunidade na revisão do PPP. A abertura para a participação da comunidade foi tão impactante, observou, que a revisão do PPP acabou envolvendo não apenas as unidades de Educação Infantil, mas também as escolas de ensino fundamental e médio no município.
 
Camaragibe – A representante da Secretaria Municipal de Educação de Camaragibe, Edilma Maria da Luz, acentuou, por sua vez, a contribuição do Programa Primeiro a Infância para a melhoria da articulação entre a SME e as unidades de educação, o aumento da participação social e os avanços na elaboração do PPP como um processo que contempla diagnóstico, planejamento e tomada de decisões. Um ponto relevante, afirmou, foi o fortalecimento de ações relacionadas à infância no município, através do diálogo entre escolas, educadores e a comunidade.
 
Diretoras de unidades de Educação Infantil de Camaragibe também deram o seu depoimento. A diretora do CEMEI Judith Maria Brasil da Rocha, Ana Cláudia Xavier, destacou como a construção coletiva do PPP permitiu “a escuta das crianças, a abertura para o que pensam sobre a escola”. A diretora da Escola Municipal XV de Novembro, Carla Viviane da Silva, ressaltou por sua parte que a abertura à participação deixou mais clara a importância da parceria entre a família e a escola.
 
São Lourenço da Mata - Anfitriã do seminário, a equipe da Secretaria Municipal de Educação de São Lourenço da Mata apresentou o processo de revisão do PPP e a inclusão de suas metas no PPA de forma coletiva.
 
Elas sublinharam que o Programa colaborou para a aproximação entre a SME e as unidades educacionais, propondo parcerias, alinhando as ações através do diálogo entre as diretorias da Secretaria e as gestões escolares. E destacaram a melhoria da participação social, através da realização de reuniões e encontros com a participação colaborativa de todos os segmentos da comunidade escolar no processo de tomada de decisões.
 
Coordenadora pedagógica da Escola Municipal Herminio Moreira Dias, Verônica Maria da Costa e Silva reiterou, de fato, a contribuição do Programa Primeiro a Infância para uma maior compreensão da importância do brincar na Educação Infantil. “A presença do brincar é essencial na Educação Infantil, como elemento de socialização, de desenvolvimento da criança, de expressão das diferentes linguagens. Brincar é fundamental”, concluiu a educadora.
 
 
 
 

18/12/17|

Programa Primeiro a Infância abrange mais de 6 mil crianças em três municípios de Pernambuco

Entre 2015 e 2017, o Programa Primeiro a Infância – Educação Infantil como Prioridade, do Fundo Juntos pela Educação, beneficiou mais de 6.800 crianças de 0 a 5 anos nos municípios pernambucanos de Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe e São Lourenço da Mata. O balanço desse primeiro ciclo do Programa aconteceu em seminário no dia 28 de novembro, no auditório da Arena Pernambuco, com a presença de mais de 300 profissionais da rede de Educação Infantil dos três municípios e de outras localidades da Região Metropolitana de Recife. O tema do seminário foi “Conquistas e aprendizagens para a Educação Infantil”.
 
O Programa Primeiro a Infância – Educação Infantil como Prioridade teve três fases. No primeiro momento, o Programa contribuiu para a inclusão de metas e estratégias para uma Educação Infantil (EI) de qualidade nos Planos Municipais de Educação, que foram construídos no primeiro semestre de 2015 e promulgados até o final de junho daquele ano, em atendimento ao Plano Nacional de Educação (PNE), de 2014.
 
A segunda fase foi o suporte do Programa, entre o final de 2015 e todo ano de 2016, à reformulação do Projeto Político Pedagógico (PPP) das unidades de EI nos três municípios. O PPP foi identificado como o instrumento que promoveria, na realidade de cada unidade de Educação Infantil e suas respectivas comunidades, as metas e estratégias contidas nos Planos Municipais de Educação.
 
A reformulação dos PPP, de forma participativa, foi fundamental para fortalecer a articulação entre as Secretarias Municipais de Educação e as unidades com EI nos três municípios. Cada PPP contém um Plano de Ação para a execução de suas metas.
 
Entre 2016 e 2017, houve a mudança na gestão das Prefeituras nos três municípios. O Programa Primeiro a Infância continuou, ao ser acolhido pelas gestões municipais. Ao longo de 2017 aconteceu, então, uma terceira fase do Programa, com a revisão e atualização dos PPP das unidades de Educação Infantil e a inclusão das metas dos respectivos Planos de Ação nas discussões sobre o Plano Plurianual (PPA). Instrumento previsto na Constituição Federal de 1988, é o PPA que garante a execução orçamentária e implementação das metas nos diferentes setores da gestão municipal, incluindo a área da Educação.
 
Mudança de paradigmas – O seminário do dia 28 de novembro, no auditório da Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata, foi aberto com a marca da emoção. O coral “Mãos que cantam e encantam”, da Escola Municipal CAIC Prefeito José Alberto de Lima, de Cabo de Santo Agostinho, apresentou duas músicas, a “Oração de São Francisco” e “Trem Bala”. O coral é composto por adolescentes surdos e ouvintes.
 
Em seguida, as transformações provocadas nos três municípios parceiros foram ressaltadas na mesa oficial de abertura do seminário. Participaram da mesa representantes das Secretarias Municipais de Educação e também o prefeito de São Lourenço da Mata, Gabriel Neto, anfitrião do evento. Esteve presente, igualmente, a deputada estadual Simone Santana, presidente da Frente Parlamentar da Primeira Infância.
 
Na mesma mesa, as representantes do Fundo Juntos pela Educação, composto pelo Instituto Arcor Brasil e Instituto C&A, destacaram na sequência a sua satisfação com os resultados do primeiro ciclo do Programa Primeiro a Infância, nos municípios parceiros.
 
“Em um primeiro momento houve desconfiança, mas depois ficou evidente a intenção do Programa em contribuir com a Educação Infantil nos municípios”, observou a diretora executiva do Instituto Arcor Brasil, Célia Ribeiro de Aguiar. “O Programa mostrou que é possível, com a união de esforços, fazer a diferença pelo desenvolvimento infantil”, completou.
 
A coordenadora da área educacional do Instituto C&A, Janine Schultz, observou por sua vez que a principal contribuição desse primeiro ciclo do Programa Primeiro a Infância foi a afirmação de que “é possível olhar de outras formas para a Educação Infantil”, sobretudo em termos de garantia de participação da comunidade na discussão sobre os melhores caminhos educacionais para os seus filhos.
 
Também se pronunciaram na mesa de abertura os representantes da Oficina Municipal, organização contratada pelo Fundo Juntos pela Educação para a coordenação e construção do Programa Primeiro a Infância. O presidente da Oficina, José Mario Brasiliense, destacou como foi importante a escolha da reformulação do Projeto Político Pedagógico das unidades de Educação Infantil como o fio condutor do Programa.
 
O seminário prosseguiu com a conferência “A importância da Educação Infantil como etapa de desenvolvimento do ser humano”, pela pesquisadora Maria Thereza Marcílio, da organização Avante. Depois, foram realizadas apresentações das Secretarias Municipais de Educação parceiras do Programa, sobre como foi o processo de implementação em cada município. Encerrando a programação, “A participação das Secretarias de Educação no processo de elaboração do Plano Plurianual” foi comentada por Paulo de Tarso de Oliveira Côrte, especialista em Gestão Pública.
 
Paulo de Tarso notou como é recente a participação popular na definição das políticas públicas no Brasil, incluindo a área da educação. O marco foi a promulgação da Constituição Federal de 1988, lembrou.
 
Nesse sentido, o pesquisador aplaudiu o processo de construção participativa do PPP nos três municípios parceiros do Programa Primeiro a Infância e a inclusão de metas no Plano Plurianual. Mas advertiu que “apenas a inclusão de metas e estratégias no PPA e outros instrumentos de planejamento não é suficiente, é fundamental a continuidade do monitoramento e participação social para que os objetivos sejam de fato alcançados”.
 
No final do evento, o gerente de programas da Oficina Municipal, Gustavo Adolfo Santos, ressaltou por sua vez que a contribuição do Programa para a Educação Infantil nos três municípios terá continuidade, com um monitoramento do cumprimento das metas estabelecidas nos Planos de Ação dos PPP.
 
 
 
 

18/12/17|