A importância da Educação Infantil como etapa de desenvolvimento do ser humano. Este foi o tema da palestra da especialista Maria Thereza Marcílio, durante o seminário no dia 28 de novembro, no auditório da Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata. Maria Thereza Marcílio já foi secretária-executiva da Rede Nacional Primeira Infância (RNPI).
 
A concepção de infância da forma como a compreendemos hoje é muito recente na história da humanidade, lembrou a especialista. Durante muito tempo, destacou, a criança foi vista como um ser incompleto e sem direitos. “A visão de que a criança é um ser humano pleno de direitos é muito nova”, comentou.
 
“A infância não é a idade da não fala, e sim das múltiplas linguagens”, afirmou. “Também não é a idade da não razão, mas de outras formas de racionalidade, nas interações com outras crianças, na incorporação dos afetos, das fantasias e da vinculação ao real”, complementou. Também observou que a infância “não é a idade do não trabalho, todas crianças trabalham nas múltiplas tarefas do seu cotidiano”.
 
A especialista reforçou em seguida a afirmação de que a infância contempla múltiplas linguagens. “A linguagem é toda e qualquer forma de expressão e comunicação inventada pelo homem ao longo da humanidade, é portanto uma construção social. As diferentes formas de linguagem possibilitam as interações das crianças com a natureza e a cultura, para que possam construir sua subjetividade e se constituir como sujeitos sociais”, ressaltou.
 
Importância da educação na primeira infância – Maria Thereza Marcilio comentou na sequência a importância da educação na primeira infância. Para ela, existem alguns princípios constituidores da pedagogia da infância. Em primeiro lugar, o reconhecimento do espaço educativo como “lugar de direito da criança”.
 
A “valorização da cultura da infância”, a “valorização das interações sociais diversificadas, dos registros e da avaliação” e as “relações entre instituição educativa, família e comunidade” são outros desses princípios, que se complementam ainda, segundo ela, com a organização dos grupos, dos espaços e materiais, o cuidado com a construção da identidade das crianças e a importância do brincar e da exploração das múltiplas linguagens.
 
Com base no conjunto desses princípios, ressaltou, a Educação Infantil seria “o espaço onde as práticas educativas conjugam o cuidar e o educar como duas faces da mesma ação”. Assim, advertiu, a Educação Infantil “não deve ter uma função assistencialista, compensatória de supostas deficiências, ou preparatória, mas deve assegurar que a criança cresça com igualdade de condições para se desenvolver plena e satisfatoriamente”.
 
Aprofundando a discussão sobre as práticas na Educação Infantil, Maria Thereza Marcílio acentuou que o currículo deve ser centrado na criança. “Depende de um adulto sensível, centrado nas necessidades e desejos da criança. Que ouça mais e fale menos, que saia do centro e deixe que elas se manifestem e possam ensinar o que precisam aprender para viver”, detalhou, sobre a postura do educador com as crianças.
 
Outro ponto fundamental, sustentou, é que as experiências com as linguagens oral, corporal, musical, plástica, escrita, entre outras, “devem ser planejadas com a intencionalidade de garantir às crianças o direito de acessar os elementos culturais produzidos pela coletividade na qual está inserida, bem como os bens culturais universais”.
 
E a especialista evidenciou o lugar central que a brincadeira deve ter na Educação Infantil. “Porque brincar nos conecta com outros e conosco mesmos. Porque a fantasia como uma recriação da realidade traz um novo olhar para a mesma realidade. Porque brincar é um processo de autoreconhecimento e de reconhecimento de outros que nos permite viver. Porque brincar é importante para a criança lidar com regras e porque traz à luz tesouros criados pela humanidade, as memórias compartilhadas”, justificou Maria Thereza Marcílio. Evitar o brincar, finalizou, “é um ataque à cultura”.