A importância do homem no cuidado dos bebês e crianças pequenas é tema de uma série de depoimentos produzida pela Rede Nacional Primeira Infância (RNPI). São onze especialistas que tratam de questões como paternidade e desigualdade social, cultura machista o papel do gestor público na promoção da paternidade.
 
A série de iniciativa do GT Homens pela Primeira Infância da RNPI está sendo lançada no momento em que, com a entrada em vigor do Marco Legal da Primeira Infância, foi sancionado o aumento do tempo da licença-paternidade para empregados de empresas cidadãs de cinco para 20 dias. Os depoimentos podem ser acompanhados no canal da RNPI no Youtube (https://www.youtube.com/watch?v=R4X-vS-GiiA&list=PLiJImOncYGPoZeQqQ82U5y4ciJL0Nzh3g)
 
Alguns trechos de depoimentos contidos na série:
 
Heloiza Egas, da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, sobre cultura machista e a importância de se desnaturalizar o cuidado: “Hoje não é esperado dos homens que eles assumam um papel de cuidado das crianças, e é importante quebrar esse paradigma. Se a criança, por exemplo, fica na creche, e ligam porque a criança se machucou ou está com febre, sempre vão ligar pra mãe, e acham que é a mãe quem tem que ir buscar. Não é esperado do pai que ele largue a sua jornada de trabalho para fazer essa tarefa. Mas é esperado da mãe, inclusive com vários julgamentos morais”.
 
Daniel Costa Lima, psicólogo e mestre em saúde pública, a respeito da curta licença-paternidade: “Eu acredito que o maior empecilho ao exercício da paternidade e do cuidado pelos homens é a licença-paternidade tão curta. É a legislação que coloca de uma forma muito clara que o cuidado das crianças é algo feminino, um prazer muito grande, mas uma grande responsabilidade e trabalho também, e que poderiam ser compartilhados com os homens”.
 
Mariana Azevedo, do Instituto Papai, comentando as relações entre o feminismo, a luta pela igualdade de gênero e a promoção da paternidade: “O movimento feminista conseguiu muito êxito em fazer com que as mulheres ocupassem o espaço público no mercado de trabalho, na política, na cultura e na educação, mas ainda falta o movimento dos homens se voltarem mais para o espaço doméstico, para compartilhar o cuidado das crianças”.
 
Luciana Phebo, da Plataforma de Centros Urbanos do UNICEF: “Existe uma relação muito forte entre a participação do pai na vida das crianças e a redução das desigualdades. A participação do homem na vida das crianças impacta a vida da menina e do menino, da família, e vai mais além, impacta a cidade”.
 
Fabio Paes, da Aldeias Infantis SOS Brasil e atual presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Crianças e do Adolescente (Conanda), sobre sua experiência como pai e ativista pelos direitos humanos:. “A experiência de ser pai na minha vida foi revolucionária. Quem trabalha com direitos humanos e de infância sempre reivindica e defende direitos de outros. E desde o nascimento da minha filha, o discurso dos direitos humanos passou a ter insônias, a acordar de uma maneira muito mais atenta para defender direitos de crianças de zero a três anos é urgente, porque cada dia na vida dessa criança tem um impacto gigantesco”.