Sem categoria

Programa discute Educação Infantil na Base Nacional Comum Curricular

O que diz a Base Nacional Comum Curricular no âmbito da Educação Infantil e como as suas concepções podem ser articuladas com o Projeto Político Pedagógico e as práticas educativas nas escolas? A questão foi discutida, no âmbito do Programa Primeiro a Infância – Educação Infantil como Prioridade, com gestoras, coordenadoras pedagógicas e professoras dos seis municípios parceiros em 2018.
 
As reflexões foram feitas em encontros nos dias 9 e 10 de abril, a partir de exposição de Monica Samia, pesquisadora da organização Avante, de Salvador (BA). Monica foi uma das responsáveis pela implantação e implementação, em vários municípios do Nordeste, do Projeto Paralapracá, desenvolvido pela Avante com o apoio do Instituto C&A.
 
Diretrizes Curriculares – Monica Samia lembrou que o processo de construção da BNCC teve seus antecedentes e, na esfera da Educação Infantil, um dos marcos principais foi o documento das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, de 2009. As concepções de criança e Educação Infantil presentes nas Diretrizes têm orientado as discussões sobre essas áreas, inclusive na formulação da BNCC, destacou a consultora da Avante.
 
Pelas Diretrizes, em seu artigo 4º, frisou, a criança é um “sujeito histórico e de direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura”.
 
Já pelo artigo 3º, o currículo da Educação Infantil é concebido como “um conjunto de práticas que buscam articular as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico, de modo a promover o desenvolvimento integral de crianças de 0 a 5 anos de idade”.
 
Para Monica Samia, a BNCC, em termos da Educação Infantil, desdobra essas concepções de criança e currículo expressas nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Ela nota que parte significativa da BNCC, no que se refere à Educação Infantil, tem como fundamento sobretudo os artigos 8º e 9º das Diretrizes de 2009.
 
O artigo 8º estabelece que “a proposta pedagógica das instituições de Educação Infantil deve ter como objetivo garantir à criança acesso a processos de apropriação, renovação e articulação de conhecimentos e aprendizagens de diferentes linguagens, assim como o direito à proteção, à saúde, à liberdade, à confiança, ao respeito, à dignidade, à brincadeira, à convivência e à interação com outras crianças” (com vários incisos e parágrafos a seguir).
 
Por sua vez o artigo 9º indica que “as práticas pedagógicas que compõem a proposta curricular da Educação Infantil devem ter como eixos norteadores as interações e a brincadeira, garantindo experiências que: I – promovam o conhecimento de si e do mundo por meio da ampliação de experiências sensoriais, expressivas, corporais que possibilitem movimentação ampla, expressão da individualidade e respeito pelos ritmos e desejos da criança; II – favoreçam a imersão das crianças nas diferentes linguagens e o progressivo domínio por elas de vários gêneros e formas de expressão: gestual, verbal, plástica, dramática e musical” (e mais 10 incisos na sequência).
 
Oportunidade histórica – Monica Samia lembrou que a construção da Base Nacional Comum Curricular contemplou um amplo processo participativo, sobretudo na formulação das suas duas primeiras versões. A terceira e última versão já foi divulgada pelo novo governo federal, com alterações em relação às duas primeiras, e depois discutida pelo Conselho Nacional de Educação e finalmente homologada.
 
Mesmo com as perdas em relação às propostas originais, ela entende que a BNCC representa, no âmbito da Educação Infantil, uma “oportunidade histórica para enfrentar desigualdades educacionais no que se refere ao acesso a bens culturais e à vivência da infância”. Ainda assim, alerta que há o risco de “potencializar lógicas com estruturas rígidas”.
 
Para ela, a concepção de Educação Infantil explicitada nas Diretrizes Curriculares e na BNCC rompe com os modelos de educação assistencialista e escolarizante e fundamenta um novo modelo, baseado na Lógica da Infância. A respeito, cita as caracterizações de modelos da Educação Infantil, apontadas por Lenira Haddad, pesquisadora e professora da Universidade Federal de Alagoas.
 
A lógica institucional, assinala, “é modelada por uma imagem da boa família e do lar”. A lógica da pré-escola, por sua vez, “sustenta-se pela racionalidade escolar de controle das práticas”. Nessa lógica, as metas e os objetivos estão voltados a uma relação formal de ensino-aprendizagem. O papel do profissional, acrescenta, é o do professor “que vê as crianças como aprendizes”. E a Lógica da Infância, de seu lado, coloca a criança no centro, ela é a protagonista, é considerada como um sujeito de direitos e não pode ser dividida, separada. Esta é a lógica da importância do brincar, do experimentar, como eixos do conhecimento.
 
Monica Samia salienta que, a partir dos princípios enunciados nas Diretrizes de 2009, a BNCC incorporou, na esfera da Educação Infantil, os Direitos de Aprendizagem e Desenvolvimento, que devem nortear as práticas neste nível: Conhecer-se, Conviver, Brincar, Explorar, Participar e Expressar. São Direitos, acrescenta, estruturados em tornos dos eixos Ético, Político e Estético.
 
Para fazer valer os Direitos de Aprendizagem e Desenvolvimento, e também tendo as Diretrizes como fundamento, a BNCC estabeleceu os Campos de Conhecimentos, que devem ser contemplados na Educação Infantil: O eu, o outro e o nós; Corpo, gestos e movimentos; Traços, sons, cores e formas; Escuta, fala, pensamento e imaginação; e Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações.
 
Monica Samia concluiu suas apresentações nos municípios parceiros do Programa Primeiro a Infância propondo ser fundamental compreender as concepções e intencionalidades dos Direitos de Aprendizagem e Campos de Experiências previstos nas Diretrizes de 2009 e na BNCC de modo que sejam elaborados Projetos Político Pedagógicos (PPP) e planejadas práticas coerentes com os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento. A formulação ou revisão dos PPP das unidades de Educação Infantil, de forma participativa, é o instrumento central do Programa Primeiro a Infância.
 
Em Monte Mor – O encontro de Monica Samia com diretoras de escola e coordenadoras pedagógicas de Monte Mor, além da equipe da Secretaria Municipal de Educação, foi no dia 9 de abril. “É uma ótima oportunidade reunir as diretoras e coordenadoras para discutir a Base Nacional e outros temas muito importantes”, afirmou a secretária municipal de Educação, Marli Eliza Brischi Domingues.
 
Diretora de escola no município, Alex-Sandra Pires Braga entende que o Programa Primeiro a Infância pode dar contribuição relevante na discussão do Projeto Político Pedagógico, de modo a envolver toda a comunidade e na discussão do currículo e práticas educativas.
 
Para a coordenadora pedagógica Natália Cassiano de Jesus, foi muito importante a discussão sobre a Base Nacional Comum Curricular, pois trouxe novos subsídios para a reflexão sobre a Educação Infantil no município.
 
 
 
 

14/05/18|

Contribuição do Programa Primeiro a Infância, no olhar de Camaragibe

A segunda e última mesa de debates do Seminário foi encerrada com o relato de uma experiência concreta, no marco do Programa Primeiro a Infância – Educação Infantil como Prioridade, do Fundo Juntos pela Educação. A coordenadora de Educação Infantil de Camaragibe, Edilma Luz, resumiu como foi a implementação do Programa em seu município. Também esteve presente o secretário municipal de Educação de Camaragibe, Denivaldo Freire Bastos.
 
Edilma Luz, lembrou que o Programa já contribuiu no momento em que estava sendo elaborado o Plano Municipal de Educação, no primeiro semestre de 2015. Em função das discussões propiciadas pelo Programa, lembrou, a Meta 1 do Plano Municipal, relacionada à Educação Infantil, foi desdobrada em sete metas e 33 estratégias específicas para creches e pré-escolas.
 
A representante de Camaragibe lembrou também que o Projeto Político Pedagógico (PPP) foi o instrumento escolhido para que cada unidade de Educação Infantil dos três municípios parceiros refletisse as metas e estratégias previstas em seus Planos Municipais de Educação.
 
O primeiro passo para viabilizar o processo, lembrou, foi a constituição de um Comitê Gestor Escolar, “construído em uma dinâmica entre membros da comunidade escolar, diretor, professores, funcionários, pais, sociedade civil, estudantes e crianças da Educação Infantil que tiveram sua fala representada pelo diretor da escola”.
 
Foi então iniciado um processo de construção ou revisão do PPP, com efetiva participação das comunidades escolares. “Em Camaragibe, houve uma escuta geral, inclusive das crianças e da comunidade em geral”, reiterou.
 
Ela observou que, naquele momento, foi sentida a importância de envolvimento de todas as modalidades de ensino, e não apenas a Educação Infantil. Dessa forma, o PPP foi reformulado considerando todos os níveis de ensino. “Muitas escolas têm a Educação Infantil com outros níveis. Não fazia sentido reformular o PPP apenas para a Educação Infantil”, ressaltou.
 
Cada PPP, notou Edilma Luz, contemplou um Plano de Ação com suas próprias metas. Os Planos de Ação das diferentes unidades escolares foram, depois, sintetizadas, para que as prioridades fossem contempladas no orçamento definido pelo Plano Plurianual do Município. “A reformulação do PPP permitiu que as comunidades valorizassem ainda mais a sua participação na educação de suas crianças. O Programa Primeiro a Infância fortaleceu na cidade a importância da Educação Infantil, como etapa primeira e fundamental do desenvolvimento”, frisou.
 
Edilma Luz informou que o envolvimento de Camaragibe no Programa Primeiro a Infância já teve outras consequências práticas. Uma delas foi a ampliação do acervo literário para todas as unidades de ensino. Do mesmo modo, vem sendo ampliado o acervo de brinquedos, com itens que antes não eram contemplados.
 
A representante de Camaragibe notou que em 2018 tem sido executado um monitoramento da implementação do PPP em cada unidade escolar, como foco no Plano de Ação montado para a escola.
 
Também participou da mesa Cida Freire, que atuou como consultora na implementação do Programa Primeiro a Infância nos três municípios pernambucanos. Ela ressaltou como o Programa procurou abrir efetivamente espaços à participação das comunidades escolares na construção ou reformulação do PPP.
 
O vice-diretor da Oficina Municipal, Gustavo Santos, fechou o seminário, reafirmando que o Programa Primeiro a Infância está no segundo ciclo, com ações ao longo de 2018 nos municípios de Capivari, Mombuca, Monte Mor, Rafard, Rio das Pedras e Saltinho, no interior de São Paulo.
 
 
 
 

14/05/18|

Direitos e Convenção da criança em debate na segunda mesa

No dia 20 de novembro de 1989, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a Convenção sobre os Direitos da Criança, desde então a principal referência para as questões da infância. A exposição de Javier Rodriguez, da Fundação Arcor da Argentina, no Seminário Gestão Integral e Integralidade da Infância, teve a Convenção de 1989 como orientadora.
 
Javier falou sobre “Espaço, local, educação infantil e proteção dos direitos das crianças”. Ele lamentou inicialmente que muitas vezes ainda se veja a criança como “promessa”, como “futuro”, o que na sua opinião “distrai a atenção política e social do presente”.
 
Comentou, então, a definição de Primeira Infância expressa na Convenção dos Direitos da Criança, de 1989: “A Primeira Infância compreende o período pré-escolar até a transição para a educação básica. Em termos operacionais, é a fase desde o nascimento até os oito anos de idade”.
 
Espaço local – Sempre à luz da Convenção, Javier destacou a relevância de se tratar do local, do lugar de onde veio a criança, quando se busca uma abordagem integral para a infância. “De onde nós somos?”, indagou, para imediatamente responder: “Nós somos onde brincamos quando éramos crianças. Brincadeira e espaço compõem nossa identidade”.
 
Quando fala de espaço, explicou, “falamos do espaço habitado que simboliza o espaço social que, ao mesmo tempo, traduz a estrutura social”. E a estrutura social na América Latina, acrescentou, “é desigual, as crianças nascem e crescem nessa desigualdade”. É este o lugar, é este local, portanto, que deve ser considerado, quando se procura a gestão integral da infância.
 
A reavaliação do espaço local, continuou o representante da Fundação Arcor, “traz a possibilidade de reconstruir um modo de vida que retorna o comum, que restaura a comunidade”. Para ele, a comunidade local é uma rede relacional que combina: relações de produção e estrutura econômica, um quadro sócio-institucional que se reflete em características do Estado local, uma história e cultura próprias e uma inserção no sistema global e nacional. A construção de uma abordagem e de uma gestão integral da infância deve, nesse sentido, ter como referência essa rede de relações que caracteriza a comunidade onde a criança vive.
 
Direitos da criança – De novo em conformidade com a Convenção sobre os Direitos da Criança, Javier Rodriguez sublinhou que a concretização dos direitos da infância “é uma obrigação do Estado e responsabilidade da família e da comunidade”.
 
São três, na sua perspectiva, os planos de ação do Estado para garantir os direitos da infância: 1. Políticas públicas universais (contemplando as citadas áreas da educação, saúde, desenvolvimento social etc); 2. Medidas de proteção integral de direitos; e 3. Medidas excepcionais.
 
O mais importante, prosseguiu, é que deva ser construído um Sistema de Proteção de Direitos, o que pressupõe uma visão intersetorial. Assim, para que seja assegurado o desenvolvimento integral na Primeira Infância e, portanto, a Educação Infantil integral, disse Javier Rodríguez, é essencial uma abordagem e uma gestão intersetorial, envolvendo não apenas a área educacional, mas também a da saúde, da ação social e outras.
 
Ele defendeu, igualmente, a estruturação de Comitês Intersetoriais, para assegurar a articulação de ações voltadas à promoção e proteção dos direitos da criança. Tais Comitês, completou, devem contemplar a representação da família (considerando as múltiplas e novas configurações de família), os distintos setores e níveis do Estado e a comunidade como um todo, considerando as organizações e instituições da sociedade civil.
Direitos das crianças e educação – A Convenção sobre os Direitos da Criança, lembrou Javier Rodriguez, tem indicações significativas para uma Educação Infantil na perspectiva da integralidade. No caso, falando-se de educação “como um direito em si mesmo e como uma prática que garante outros direitos”. As políticas educativas e as práticas institucionais, complementou, “devem desenvolver os mecanismos necessários para assegurar a cada criança um efetivo processo de aprendizagem”.
 
Em seguida, apontou as referências contidas na Convenção sobre os Direitos da Criança que, na sua opinião, deveriam ser consideradas nas práticas pedagógicas na Educação Infantil: igualdade de gênero (Artigo 2), respeito à diversidade cultural (Artigo 30), fomento à participação (Artigo 12), liberdade de consciência, pensamento e religião (Artigo 14), sistemas disciplinares compatíveis com a dignidade humana (Artigo 28).
 
Javier Rodriguez entende que a educação voltada ao desenvolvimento integral é “aquela que desenvolve a capacidade e o desejo de aprender a aprender”. Além disso, é aquela que considera a criança “como um ser com potencial e parte de sua própria atividade para construir conhecimento”. A capacidade de aprender, acredita, “deve servir não só para adaptarmos, mas também sobre o todo para transformar a realidade”. Para cumprir sua função, completa, a educação “deve atender à vida da criança, já que dela extrai o material com que se desenvolve sua tarefa específica: construir experiências”. A educação deve “construir pontes de acesso ao mundo simbólico. Cumprir sua função política de socializar, distribuir conhecimentos”.
 
A política integral para a Primeira Infância, reiterou Javier, deve ser em síntese uma política intersetorial que permita (1) uma compreensão e abordagem abrangente da criança e seu universo de relacionamento; (2) seja feita não só na execução, mas também no planejamento e na tomada de decisões e (3) garanta a coordenação de atores e a sinergia de ações.
 
Javier Rodriguez terminou sua exposição com uma frase do educador italiano Francesco Tonucci (autor do célebre “A cidade das crianças”), para acentuar como é estratégica a centralidade da criança na agenda e nas políticas públicas: “Escolher as crianças como uma bússola para fazer política e executá-la garante que ela não apenas beneficie as próprias crianças, mas toda a comunidade”.
 
 
 
 

14/05/18|

Seminário em São Paulo vai debater a Gestão Integral na Primeira Infância

Gestão Integral e Integralidade da Infância: Caminhos para a Educação Infantil. Este é o tema do seminário que será realizado no dia 12 de abril, em São Paulo, pelo Fundo Juntos pela Educação, no âmbito no Programa Primeiro a Infância: Educação Infantil como Prioridade. O Fundo Juntos pela Educação é composto pelo Instituto Arcor Brasil e Instituto C&A.
 
As atividades do seminário acontecerão entre as 8 e 13 horas, no Espaço Transatlântico (rua José Guerra, Chácara Santo Antônio). A organização do evento é da Oficina Municipal, contratada pelo Fundo Juntos pela Educação para a implementação do Programa Primeiro a Infância – Educação Infantil como Prioridade.
 
“O Marco Legal da Primeira Infância reforça a necessidade das políticas públicas intersetoriais para o desenvolvimento integral da criança. Nesse sentido é fundamental avançar para uma gestão integral”, comenta Raphael Borella, da Oficina Municipal.
 
A programação do seminário abrange duas mesas de debates. A primeira será sobre “A integralidade da infância. O conceito de integralidade da infância”, com a participação de Janine Schultz, do Instituto C&A, e de Maria Thereza Marcílio, que já foi secretária-executiva da Rede Nacional Primeira Infância (RNPI). Ela atua na organização Avante, de Salvador (BA).
 
“Gestão integral na educação infantil” será o tema da segunda mesa, que contemplará duas apresentações. Javier Alberto Rodriguez, da Fundação Arcor e Fundo Juntos pela Educação, falará sobre “O papel da Educação no marco das políticas intersetoriais de proteção dos direitos da criança”. Em seguida, haverá a apresentação “A experiência de Camaragibe na orientação dos Projetos Político Pedagógicos da rede municipal”, com a participação de Cida Freire, consultora da Oficina Municipal, e Edilma Luz, da Secretaria Municipal de Camaragibe.
 
Os municípios pernambucanos de Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe e São Lourenço da Mata foram os parceiros do Fundo Juntos pela Educação na primeira edição do Programa Primeiro a Infância – Educação infantil como prioridade, entre 2015 e 2017. A construção ou revisão participativa do Projeto Político Pedagógico, pela comunidade de cada unidade de educação infantil dos três municípios, foi o foco central do Programa.
 
Terminada a segunda mesa de debates, haverá a apresentação das conclusões e a discussão final. O seminário do dia 12 de abril é aberto a gestores e profissionais em Educação Infantil, organizações sociais, pesquisadores e educadores com atuação na Primeira Infância.
 
Clique aqui e faça sua inscrição.
 
 
 
 

26/03/18|

Concepção de criança e padrões de qualidade são essenciais para o PPP

Qual a concepção de criança e infância e quais os padrões de qualidade que devem ter a Educação Infantil? Estas questões são essenciais para a formulação do Projeto Político Pedagógico e, por isso, devem ser aprofundadas no momento de construção do Marco Referencial, acentuou a consultora da Oficina Municipal, Oneide Ferraz Alves, no encontro de Piracicaba. As duas questões foram de fato muito discutidas no evento.
 
A reflexão sobre a concepção de criança partiu da definição contida nas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil (DCNEI, Resolução Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Básica, número 5/2009). Em seu artigo 4º, as Diretrizes definem criança como:
 
“sujeito histórico e de direitos, que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura”.
 
Por outro lado, a consultora da Oficina Municipal evidenciou alguns dos padrões de qualidade que devem ser observados, em um processo de construção ou revisão de Projeto Político Pedagógico, tendo como base um sólido Marco Referencial, que por sua vez levará à formulação de um documento norteador específico para cada município.
 
Ela citou a respeito os Indicadores da Qualidade na Educação Infantil propostos pelo Ministério da Educação, que apontam, no caso dos ambientes físicos ideais em escolas de Educação Infantil: “Os ambientes físicos da instituição de educação infantil devem refletir uma concepção de educação e cuidado respeitosa das necessidades de desenvolvimento das crianças, em todos seus aspectos: físico, afetivo, cognitivo, criativo. Espaços internos limpos, bem iluminados e arejados, com visão ampla do exterior, seguros e aconchegantes, revelam a importância conferida às múltiplas necessidades das crianças e dos adultos que com elas trabalham; espaços externos bem cuidados, com jardim e áreas para brincadeiras e jogos, indicam a atenção ao contato com a natureza e à necessidade das crianças de correr, pular, jogar bola, brincar com areia e água, entre outras atividades”.
 
Ainda no que se refere a padrões de qualidade, duas questões foram mais discutidas no encontro de Piracicaba: Os espaços e mobiliários (nas unidades de Educação Infantil) favorecem as experiências das crianças? Os materiais são variados e acessíveis às crianças? As discussões foram ilustradas por vídeos do Projeto Paralapracá, iniciativa do Instituto C&A, executada pela organização Avante. Os vídeos podem ser acessados no site http://paralapraca.org.br
 
 
 
 

26/03/18|

Gestoras comentaram relevância do marco referencial para o PPP

As gestoras e educadoras presentes no encontro em Piracicaba reiteraram a relevância da discussão do Marco Referencial, antes do início da construção participativa do PPP da Educação Infantil nos municípios. Cada município indicou alguns pontos que considera fundamentais para reflexão no momento de construção do Marco Referencial.
 
“É muito importante pensar na autonomia da criança, do que a Educação Infantil vai proporcionar para que a criança atinja esta autonomia”, disse Keila Caproni, coordenadora pedagógica em Mombuca, que também citou a importância de maior integração entre escola e comunidade e lembrou a contribuição da nova Base Nacional Comum Curricular.
 
A supervisora de Educação Infantil de Monte Mor, Rita de Cássia do Nascimento Lima Giorgetti, observou que o município já conta com documento norteador e diretrizes para a Educação Infantil desde 2006, como base para a construção dos PPP já realizados. Agora, em função da participação no Programa Primeiro a Infância, esses documentos podem ser aprimorados e atualizados, destacou. “Um dos pontos é como a Educação Infantil deve contemplar a inclusão”, comentou a supervisora.
 
“Precisamos dar voz às crianças, ouvir o que elas querem e têm a dizer”, acentuou a secretária municipal de Educação de Rio das Pedras, Glória Maria Manesco. “Também devemos pensar nas expectativas da comunidade escolar, observar qual é a nossa realidade e o que podemos melhorar”, completou.
 
O fortalecimento da educação inclusiva, com maior e melhor capacitação dos profissionais, foi um dos pontos indicados pela supervisora de Ensino em Rafard, Márcia Regina da Cruz Valesin. “Outra questão importante é reforçar o trabalho conjunto com as famílias das crianças, mostrar a elas que o processo educativo deve ser feito em parceria com a escola”, sublinhou a supervisora.
 
A supervisora de Educação Infantil de Capivari, Regina Aparecida de Campos Amâncio, ressaltou por sua vez, que o município concluiu recentemente a elaboração do PPP das unidades escolares. Agora é o momento, portanto, de aprimorar e ajustar. E evidenciou a relevância dos valores humanos, como um dos principais eixos norteadores para a construção do Projeto Político Pedagógico. “Dentre esses valores, o respeito ao outro é fundamental”, destacou.
 
Coordenadora pedagógica em Saltinho, Renata Pimpinatto citou como um dos pontos principais a necessidade de “conhecer melhor a realidade escolar”. Dessa forma, acentuou, é possível identificar as fragilidades mas também as potencialidades existentes nessa realidade e que podem contribuir com a melhoria da Educação Infantil.
 
 
 
 

26/03/18|

Plataforma do Programa Paralapracá oferece conteúdos em Educação Infantil

Uma plataforma digital colaborativa, oferendo múltiplos conteúdos na área de Educação Infantil, contribuindo para o percurso formativo de profissionais e das próprias crianças. Este é o Ambiente de Aprendizagem Virtual (AVA) do projeto Paralapracá, que já está disponível na Internet e com parte aberta aos interessados, bastando o preenchimento de um cadastro online.
 
O Paralapracá é uma frente de formação de profissionais da educação infantil, executado pela Avante – Educação e Mobilização Social, em parceria com as secretarias municipais de Educação, que visa contribuir para a melhoria da qualidade do atendimento às crianças que frequentam a Educação Infantil, com vistas ao seu desenvolvimento integral.
 
Para isso atender a esse objetivo, Paralapracá oferece formação continuada para profissionais das Redes Municipais de Educação, especialmente os que cumprem a função de formadores, valorizando os saberes de cada localidade e ampliando as referências teórico-práticas, a partir das orientações nacionais para o segmento.
 
As ações de formação do Programa são implementadas em caráter presencial e a distância. As ações presenciais se dão por meio de encontros formativos periódicos e ações de apoio e acompanhamento, incluindo visitas às instituições. Já as ações a distância são desenvolvidas através do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA Paralapracá).
 
O AVA se propõe, então, a ser uma plataforma com navegação intuitiva, linguagem direta e simples, conteúdos relevantes e grande possibilidade de interação (com o conteúdo, com a equipe do projeto e com os demais participantes).
 
A plataforma é um espaço dedicado a ampliar as conversas e diversificar as referências entre coordenadoras/es pedagógicas/os e equipes gestoras das instituições de educação infantil participantes. Suas atividades e conteúdos convidam os participantes a pensar a educação infantil, trocar experiências, relatar atividades, conhecer outras práticas pedagógicas e acessar diversos conteúdos formativos.
 
O AVA Paralapracá foi desenvolvido a partir do TIM Tec, em código aberto, para que pessoas e instituições interessadas também possam adaptá-la aos seus interesses e objetivos. A plataforma está disponível no site http://ava.paralapraca.org.br
 
História – O Paralapracá foi lançado em 2010 como um projeto do Programa de Educação Infantil do Instituto C&A, originalmente focado na região Nordeste. Desde então, chegou a dez municípios, em dois ciclos de implementação. No primeiro ciclo, entre 2010 e 2012, foi desenvolvido nas cidades de Campina Grande (PB), Caucaia (CE), Feira de Santana (BA), Jaboatão dos Guararapes (PE) e Teresina (PI).
 
No segundo ciclo, que se iniciou em 2013 e foi até 2017, abrangeu os municípios de Camaçari (BA), Maceió (AL), Maracanaú (CE), Natal (RN) e Olinda (PE), com resultados significativos constatados pelos processos de monitoramento e pela avaliação externa realizada pela consultoria Move Social. Em 2015 o Paralapracá tornou-se metodologia consagrada pelo Guia de Tecnologias Educacionais do Ministério da Educação (MEC), ganhando caráter nacional. Mais informações sobre o Paralapracá no site http://paralapraca.org.br
 
 
 
 

27/02/18|

Programa terá monitoramento nos municípios de Pernambuco

O Programa Primeiro a Infância – Educação Infantil como Prioridade, do Fundo Juntos pela Educação, teve seu primeiro ciclo em três municípios de Pernambuco, entre 2015 e 2017. Ao longo de 2018, o Programa continuará dando suporte no monitoramento e avaliação da execução dos Planos de Ação indicados nos Projetos Político Pedagógicos das escolas de educação infantil.
 
“Houve uma contribuição muito forte do Programa nos municípios de Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe e São Lourenço da Mata, na área da educação infantil, em três anos de atividades”, nota o vice-presidente da Oficina Municipal, Gustavo Adolfo dos Santos. “Agora haverá o monitoramento e avaliação da implementação dos PPP, com apoio do Programa”, completa.
 
Como parte do processo de monitoramento, serão realizados três encontros regionais ao longo de 2018, envolvendo representantes dos três municípios. Também haverá o acompanhamento à distância pela Oficina Municipal.
 
O Programa Primeiro a Infância abrangeu 13.728 crianças, de 0 a 5 anos, nos três municípios pernambucanos parceiros. Um grande desafio foi o processo de mudança na gestão dos três municípios, em função das eleições municipais de 2016. Entretanto, os novos gestores passaram a apoiar a continuidade do Programa, encerrado com um grande seminário no dia 28 de novembro, no auditório da Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata.
 
Gustavo Adolfo Santos nota que, ao longo do Programa, também houve uma forte discussão sobre a importância de que as prioridades indicadas em educação infantil fossem consideradas nos Planos Plurianuais dos três municípios, de modo a garantir que as metas recebessem os recursos necessários para sua implementação.
 
O primeiro ciclo do Programa, completa Gustavo, também coincidiu com o processo de elaboração da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O Programa procurou então contribuir para a discussão sobre o que a nova BNCC representará para a educação infantil nos municípios brasileiros. Esse debate também estará presente no segundo ciclo, nos municípios de Capivari, Mombuca, Monte Mor, Rafard, Rio das Pedras e Saltinho.
 
 
 
 

27/02/18|

Projeto Político Pedagógico participativo será o eixo do programa nos municípios

O fio condutor do Programa Primeiro a Infância – Educação Infantil como Prioridade será a revisão ou construção, de forma participativa, do Projeto Político Pedagógico (PPP) das unidades de educação infantil em cada um dos seis municípios parceiros. Grande parte da programação do Encontro de 20 de fevereiro foi dedicada à discussão do papel estratégico do PPP.
 
Segundo o vice-presidente da Oficina Municipal, Gustavo Adolfo dos Santos, a proposta é que o PPP seja o instrumento para que as escolas de educação infantil contribuam para a implementação das metas e estratégias dos respectivos Planos Municipais de Educação. “Mas isto apenas acontecerá se o PPP for construído de forma participativa, envolvendo todos os membros da comunidade escolar”, defende Gustavo.
 
Ele lembra que a metodologia foi utilizada com sucesso no primeiro ciclo do Programa Primeiro a Infância, entre 2015 e 2017, em três municípios de Pernambuco: Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe e São Lourenço da Mata.
 
A diferença foi que, no seu primeiro ciclo, o Programa já teve a oportunidade de contribuir com a discussão qualificada sobre as metas e estratégias em educação infantil que seriam incluídas nos Planos Municipais de Educação dos três municípios pernambucanos parceiros. Todos os Planos Municipais de Educação no Brasil tinham que ser aprovados até o final de junho de 2015.
 
Em seguida, lembra Gustavo, houve uma forte discussão, envolvendo as equipes gestoras das Secretarias Municipais de Educação, de um documento norteador, com orientações para que as unidades de educação infantil elaborassem ou revisassem seus Projetos Político Pedagógicos.
 
Elaborado o documento norteador, as Secretarias Municipais de Educação coordenaram o processo de formulação ou revisão do PPP pelas escolas de educação infantil, com ampla participação da comunidade escolar. “Quando ocorre essa ampla participação, a escola fica muito mais forte, pois a comunidade toda se sente responsável pelos destinos da unidade escolar”, comenta Oneide Ferraz Alves, coordenadora do Programa Primeiro a Infância na Oficina Municipal.
 
Essas etapas observadas no primeiro ciclo também serão seguidas nos municípios de Capivari, Mombuca, Monte Mor, Rafard, Rio das Pedras e Saltinho. Do mesmo modo, a proposta é que seja constituído, no âmbito das Secretarias Municipais de Educação, um comitê ou núcleo gestor, para coordenar o processo junto às escolas de educação infantil.
 
O movimento de elaboração ou revisão do PPP, complementa Oneide Ferraz Alves, abrange a definição de um Plano de Ação em cada unidade de educação infantil. O processo também contempla a definição de indicadores para monitoramento e avaliação, visando a melhoria contínua dos procedimentos. “É muito importante a participação de todos na elaboração do PPP, inclusive do aluno, que às vezes tem um olhar muito próprio e especial do que deseja para sua escola”, reitera Oneide.
 
O Programa Primeiro a Infância – Educação Infantil como Prioridade é a segunda iniciativa do Fundo Juntos pela Educação, formado em 2004 pelo Instituto Arcor Brasil e Instituto C&A. A primeira ação foi o Programa pela Educação em Tempo Integral (2006-2010), depois transformado em Programa pela Educação Integral, em seu segundo ciclo, entre 2011 e 2013, nos estados do Ceará e Pernambuco.
 
 
 
 

27/02/18|

Programa de Educação Infantil tem Segundo Encontro Regional

Foi realizado nesta terça-feira, dia 20 de fevereiro, em Capivari, o II Encontro Regional do Programa Primeiro a Infância – Educação Infantil como Prioridade, do Fundo Juntos pela Educação/Instituto Arcor Brasil. Participaram do Encontro representantes dos seis municípios parceiros do Programa, que será implementado ao longo de 2018.
 
Estiveram presentes, especificamente, membros da equipe gestora das Secretarias Municipais de Educação de Capivari, Mombuca, Monte Mor, Rafard, Rio das Pedras e Saltinho. O objetivo do Programa Primeiro a Infância é contribuir com a qualidade da educação infantil nestes seis municípios.
 
O fio condutor do Programa será a revisão ou construção, de forma participativa, do Projeto Político Pedagógico das unidades de educação infantil em cada município. A proposta é que o PPP seja o instrumento para que as escolas de educação infantil contribuam para a implementação das metas e estratégias dos respectivos Planos Municipais de Educação.
 
A programação do II Encontro Regional em Capivari foi então dedicada à discussão das metas e estratégias, relativas à educação infantil, dos Planos Municipais de Educação dos seis municípios, e também ao debate sobre como as equipes das Secretarias Municipais de Educação podem se organizar para contribuir com a revisão ou elaboração do Projeto Político Pedagógico nas escolas. Também houve uma forte e qualificada discussão sobre a importância da gestão democrática das escolas.
 
“É muito importante o apoio da iniciativa privada na área da educação”, comentou, a respeito do apoio do Instituto Arcor Brasil, o prefeito de Capivari, Rodrigo Abdala Proença, que prestigiou o evento. Para a secretária municipal de Educação de Capivari, Marilia Aparecida Cardoso de Oliveira, o Programa Primeiro a Infância dará enorme contribuição para “reforçar a importância da educação infantil” no conjunto dos municípios.
 
Também presente, a secretária municipal de Educação de Rio das Pedras, Glória Maria Ebúrneo, entende que o Programa será fundamental para o processo de revisão ou construção, de forma participativa, do Projeto Político Pedagógico das unidades de educação infantil. “O PPP é um importante instrumento para a reflexão sobre o papel de uma escola em sua comunidade, e no caso de como deve ser a educação infantil”, comentou.
 
O II Encontro Regional foi conduzido pela equipe da Oficina Municipal, organização contratada pelo Fundo Juntos pela Educação para coordenar e implementar o Programa Primeiro a Infância, que já teve uma primeira edição em três municípios pernambucanos: Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe e São Lourenço da Mata. A segunda edição já começou a ser executada nos seis municípios parceiros do interior de São Paulo. Entre os dias 21 e 23 de fevereiro a equipe da Oficina Municipal fará nova visita técnica aos seis municípios, de modo a aprofundar a organização local para o desenvolvimento do Programa, já tendo em vista a reformulação ou elaboração do PPP nas unidades de educação infantil, de modo que elas contribuam com os Planos Municipais de Educação.
 
 
 
 

21/02/18|