“A brincadeira é a mola propulsora do desenvolvimento infantil”. A frase é da educadora Lucilene Silva, exprimindo um conceito que vem orientando a sua atuação, com foco na pesquisa de brincadeiras de várias regiões brasileiras.
 
A importância do brincar no desenvolvimento da criança está no centro das discussões sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), no âmbito da Educação Infantil. A BNCC está sendo avaliada no momento pelos membros do Conselho Nacional de Educação, depois da ampla mobilização de educadores, pesquisadores e organizações e da realização de cinco audiências públicas.
 
“A ciência tem falado muito sobre a relevância do brincar para o desenvolvimento cognitivo, emocional e intelectual das crianças”, diz Lucilene Silva. “A criança aprende fazendo. A brincadeira não é apenas um passatempo. Ela é forma de construção de conhecimento, do contato da criança com o mundo que a envolve”, explica a educadora.
 
De modo diretamente associado ao brincar, está a experimentação com o corpo, ela complementa: “A criança vai experimentando com o corpo. Quando ela pula corda, por exemplo, seu corpo vai aprendendo cada um dos passos e aí ele se desenvolve”.
 
A criança absorve e constrói novos conhecimentos a partir da brincadeira, continua Lucilene, que adverte: “Tirar então o direito da criança à brincadeira é tirar o seu desenvolvimento”.
 
Ligadas às brincadeiras estão atividades como a contação de histórias, que tem efeito positivo “no desenvolvimento do raciocínio lógico, no desenvolvimento da linguagem”, nota Lucilene Silva.
 
Ela enfatiza que existem estudos comprovando que crianças estão sendo afetadas por problemas e doenças socioecomocionais, em função de situações relacionadas “à falta de espaço, de liberdade, de possibilidades de experimentação com o corpo”.
 
Lucilene considera, então, essencial que a Educação Infantil dê espaço privilegiado para o brincar, para o movimento, para a experimentação. “É possível ampliar o repertório de brincadeiras, mesmo com poucos recursos. Mas é fundamental que elas sejam incentivadas, pois são a base do desenvolvimento infantil”, completa a educadora, que tem atuado como consultora de programas e projetos que estimulam o brincar e o movimento.
 
Desde 1998 Lucilene Silva realiza pesquisa e documentação de Cultura Infantil, Música Tradicional da Infância e Música de manifestações tradicionais brasileiras. Ela coordena o Centro de Estudos e Irradiação da Cultura Infantil e o Centro de Formação de Educadores Brincantes da Oca – Escola Cultural e representa em São Paulo a Casa das 5 Pedrinhas fundada pela pesquisadora Lydia Hortélio.
 
Entre outras publicações é autora do livro “Eu vi as três meninas, música tradicional da infância na Aldeia de Carapicuíba”, 2014, Zerinho ou Um Editora, que em 2015 recebeu o prêmio IPHAN de Salvaguarda do Patrimônio Imaterial. Entre outros trabalhos, participou do filme “Tarja Branca, uma revolução que faltava”, dirigido por Cacau Rodhen e produzido por Maria Farinha Filmes, e do filme “Mitã, uma poética da infância brasileira”, dirigido por Lia Mattos e Alexandre Basso e produzido pelo Espaço Imaginário. Foi professora no curso de Música Brasileira, Capacitação Docente em Música Brasileira, Produção Musical e Dança da Universidade Anhembi Morumbi de 2007 a 2012.