Acidentes na infância e obesidade infantil, dois graves problemas de saúde pública, a importância do orçamento público para a Primeira Infância. Estes são os temas de novos vídeos produzidos pela Rede Nacional Primeira Infância (RNPI), já disponíveis para download.
 
Os três vídeos abordam temas presentes no Plano Nacional pela Primeira Infância, cuja formulação teve grande participação da RNPI. Os vídeos estão disponíveis no canal da Rede no Youtube e seus temas também são tratados em publicações lançadas pelo Observatório da Primeira Infância, integrado por um conjunto de organizações da sociedade civil.
 
Acidentes na infância – Clique Aqui e assista ao Vídeo – Clique Aqui e baixe a Publicação
O Observatório lembra que as lesões e mortes decorrentes de acidentes de trânsito envenenamento, afogamento, quedas, queimaduras e outros representam a principal causa da morte de crianças a partir de um ano de idade no Brasil.
 
Um levantamento de 2012 do Ministério da Saúde mostrou a ocorrência de 3.142 mortes e mais de 75 mil hospitalizações de meninos e meninas, entre zero e nove anos, configurando a temática como um grave problema de saúde pública no país. Em todo mundo, são mais de 800 mil mortes anuais de crianças por acidentes, de acordo com o Unicef.
 
Outros estudos, segundo o Observatório, indicam que para cada morte outras quatro crianças permanecem com sequelas de acidentes que irão repercutir em termos emocionais, sociais, de desenvolvimento em geral e financeiros para a sua própria vida e a de suas famílias.
 
Por outro lado, dados da ONG Safe Kids Worldwide mostram que 90% das lesões podem ser evitadas com informação e atitudes simples de prevenção. Daí a relevância de ferramentas como o vídeo lançado pela RNPI e a própria publicação do Observatório da Primeira Infância.
 
As crianças de famílias em situação de pobreza são as mais vulneráveis a acidentes, destaca o Observatório. Entre outros motivos, porque muitas vezes os pais deixam os filhos menores sozinhos ou com irmãos para poderem trabalhar e porque não têm condições financeiras para adquirir equipamentos de segurança como cadeirinhas para automóveis, protetores de tomadas e capacetes.
 
Exposição a áreas de grande tráfego de veículos, inserção em ambientes de e espaços inseguros para brincadeira, condições precárias de moradia, escadas e telhados desprotegidos são outros fatores de vulnerabilidade para crianças em geral e sobretudo para aquelas em situação de pobreza.
 
A publicação do Observatório da Primeira Infância elenca alguns cuidados que podem ser tomados para se evitar lesões em crianças: atenção ao contato de bebês com alimentos e pequenos objetos para se evitar engasgamento; cuidados com o contato de crianças com chamas, objetos quentes, ferro aquecido, aquecedores ou líquidos quentes; proteção de tomadas, fiação e objetos eletrônicos para se evitar choques e queimaduras; cuidado especial com substâncias químicas em estado sólido, líquido e gasoso.
 
Outras medidas preventivas: transporte do bebê conforto em carros; proteção de janelas, varandas e escadas com grades e redes; limitar o acesso à cozinha durante preparo de refeições e também a banheiros e piscinas; manter medicamentos fora do alcance das crianças; não deixar a criança andar sozinha na calçada e na rua; usar colete salva-vidas em piscinas e praias.
 
Obesidade infantil – Clique Aqui e assista ao Vídeo – Clique Aqui e baixe a Publicação
A obesidade, destaca o Observatório da Primeira Infância, é caracterizada pelo acúmulo de tecido gorduroso regionalizado ou em todo o corpo, sendo uma doença crônica, complexa e de etiologia multifatorial, resultante, na maioria dos casos, da associação de fatores genéticos, ambientais e comportamentais.
 
No Brasil, pesquisa de 2013 do Ministério da Saúde mostrou uma taxa de 7,9% de prevalência de sobrepeso e de 7,3% de obesidade entre crianças menores de cinco anos. A Região Nordeste apresentou prevalência de 8,4% e 8,5%, respectivamente, liderando o ranking regional. O excesso de peso atingia 15,9% das crianças em 2013, enquanto o limite aceitável, pela Organização Mundial da Saúde, seria de 2,3%.
 
O Observatório da Primeira Infância lista alguns dos fatores de risco de obesidade infantil, como o pré-natal inadequado e a alimentação inadequada no primeiro ano de vida. A alimentação escolar inadequada também é citada, assim como a inatividade física, provocada por elementos como baixo padrão de atividade física dos pais e currículo escolar deficiente em atividade física adequada. Outros fatores de risco são hábitos alimentares familiares, genética e influência negativa da mídia.
 
Entre os planos de ação para combater a obesidade infantil, o Observatório da Primeira Infância cita o estímulo ao pré-natal precoce; atendimento multidisciplinar no pré-natal e planejamento familiar; investimento para a formação e atualização dos profissionais de saúde; melhoria na qualidade da assistência à saúde materno-infantil; ações de aconselhamento dietético para mães; aconselhamento nutricional precoce; fiscalização sobre venda de produtos obesogênicos; monitoramento de estabelecimentos alimentícios no entorno escolar; refeições pré-escolares adequadas; educação familiar; ações estruturadas de atividade física no ambiente escolar; campanhas de conscientização sobre a família como modelo de alimentação saudável.
 
Orçamento para Primeira Infância – Clique Aqui e assista ao Vídeo – Clique Aqui e baixe a Publicação
O tema de outro vídeo da RNPI e de publicação do Observatório é relacionado à necessária qualificação do orçamento público para a Primeira Infância, que compreende as crianças de 0 a 6 anos e, no Brasil, abrange um grupo de cerca de 20 milhões de pessoas, ou 10% da população.
 
No vídeo, a RNPI destaca que a Primeira Infância precisa estar mais visível no planejamento e execução dos orçamentos públicos. O orçamento de um país, assinala a Rede Nacional pela Primeira Infância, é o reflexo das prioridades em políticas públicas. O monitoramento desses números, completa, é fundamental para avaliar se essas políticas são efetivas.
 
Mas no Brasil, adverte o vídeo, monitorar orçamentos públicos não é uma tarefa fácil. A falta de clareza e transparência na construção dos orçamentos dificulta a identificação do quanto realmente é investido na Primeira Infância. O vídeo cita o orçamento da União para a Primeira Infância em 2014: menos de 0,5% do total orçamentário. O valor investido corresponde a 0,3% do PIB brasileiro naquele ano. Esse orçamento é “insignificante frente aos grandes números da economia”, constata a RNPI, que pede então maior prioridade para o segmento e maior clareza nos orçamentos públicos.