Dar voz às crianças, para que elas participem diretamente de programas e ações que visam a garantia de seus direitos, é a tônica dos quatro finalistas do 2º Prêmio Nacional de Projetos com Participação Infantil. Os vencedores serão conhecidos no dia 25 de outubro.
 
A realização do Prêmio é do CECIP – Centro de Criação da Imagem Popular, como parte do Projeto Criança Pequena em Foco, com apoio do Instituto C&A, Fundação Bernard van Leer e Rede Nacional Primeira Infância (RNPI).
 
O objetivo do Prêmio Nacional de Projetos com Participação Infantil é fortalecer e disseminar práticas de participação infantil. Sendo realizado nacionalmente, através da premiação de práticas metodologicamente sérias, inovadoras, eficazes, criativas e com impacto relevante, as organizações promotoras pretendem contribuir para difundir e estimular a efetivação do direito à participação infantil em múltiplos espaços sociais.
 
Os organizadores esclarecem que, de fato, o concurso pretende enriquecer o campo de discussões e práticas em torno da ideia da participação infantil no Brasil. “Essa ideia muda a concepção tradicional que considera as crianças como seres passivos, sem opinião, sem propostas ou vontade própria, que devem aguardar algum momento num futuro distante para se tornarem cidadãos e, só então, poderem participar ativamente da sociedade. Incluir a participação de crianças é percebê-las como pessoas completas, competentes, curiosas e criativas, capazes de agir no momento presente de suas vidas”, afirmam os organizadores, a respeito do Prêmio.
 
Quatro finalistas – Os projetos “Pequenos conselheiros, grandes ideias”, da EMEI Dona Leopoldina, de São Paulo; “Criança fala na comunidade”, da Criacidade; “Comunicação Educativa da Rádio da Vila”, do Espaço Cultural Vila Esperança (GO); e “Rede de Vizinhos Amigos da Rua”, da Faculdade de Engenharia e Arquitetura da Fundação Mineira de Educação e Cultura (Fumec), são os finalistas da segunda edição do Prêmio Nacional de Projetos com Participação Infantil.
 
Pequenos conselheiros, grandes ideias – Deixar que as crianças falem, opinem, participem e tomem decisões. Este é o sentido do Projeto “Pequenos conselheiros, grandes ideias”, implementando na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Dona Leopoldina, na Zona Oeste de São Paulo.
 
O projeto, criado em 2012, visa incluir a participação das crianças na gestão democrática do espaço escolar, contribuir para o diálogo entre crianças e adultos, respeitando a cultura infantil, qualificar e valorizar a visão das crianças em igualdade com a dos adultos, fomentar a autoria das crianças na reflexão e tomada de decisões sobre assuntos de interesse da escola e problematizar a realidade local e apontar encaminhamentos para as questões levantadas.
 
Para isso, o Projeto Político Pedagógico da EMEI Dona Leopoldina possui três eixos: arte, brincadeira e educação ambiental e todos os projetos da escola abordam essas temáticas, assim como o projeto “Pequenos conselheiros, grandes ideias”.
 
Mensalmente é realizada uma assembleia, com a participação de todas as crianças. Nesta assembleia, são lançados alguns assuntos, para que possam começar a ser assimilados e discutidos pelas crianças.
 
Os temas são então discutidos em sala de aula, com as professoras. Os alunos registram os temas e ideias que aparecem através de desenhos, música ou um texto.
 
Mais discutidos em sala de aula, e com os devidos registros, os assuntos são levados pelos alunos para o Conselho de Criança, que se reúne quinzenalmente. Cada turma de alunos apresenta a sua sugestão e, do conjunto de sugestões, são definidas aquelas que serão trabalhadas pela escola.
 
CriaCidade – O Projeto “Criança Fala na Comunidade”, implementando por CriaCidade, visa promover a escuta das crianças, por meio de metodologia lúdica de escuta, para incluir suas vozes e olhares (o que querem, pensam, sonham, desejam, suas ideias, necessidades) na elaboração e execução das políticas públicas, projetos arquitetônicos, projetos políticos pedagógicos e gestão de espaços e equipamentos públicos.
 
É a criança incidindo em ações nas escolas, nas políticas públicas, nas comunidades, na arquitetura. Através da metodologia lúdica utilizada, a criança fala, desenha, vê e faz.
 
O projeto começou na comunidade do Glicério, região central de São Paulo, visando transformar o bairro a partir dos olhares e vozes das crianças atuando em quatro eixos: Ressignificação do espaço público; Cidade que brinca com transformação física; Formação e empoderamento (crianças, mulheres da comunidade, profissionais da educação, saúde, assistência social); Atuação em rede intersetorial (gestão pública, empresa privada, universidades, coletivos, ongs).
 
A metodologia está baseada na escuta das crianças por meio do vínculo afetivo e do brincar. A metodologia pressupõe ainda o mapeamento do território e criação ou fortalecimento de rede intersetorial no território onde a escuta acontece. Trata-se, portanto, da escuta das crianças e comunidade (com a identificação de sonhos, necessidades e ideias para o território) criação e fortalecimento dos vínculos afetivos e ocupações do espaço público com ações culturais intervenções físicas do espaço com concepção e execução das crianças juntamente com rede de atores locais.
 
Rádio da Vila – A Rádio da Vila nasceu no Espaço Cultural Vila Esperança, na cidade de Goiás (GO), em novembro de 2006. Desde o início sua proposta foi dar espaço à criatividade das crianças.
 
“É uma rádio feita por criança para criança”. Assim a Rádio da Vila se define. As meninas e meninos, através das oficinas de comunicação, criam os programas, gravam e editam, usando o microfone e o computador como instrumentos de aprendizagem.
 
O Projeto de Comunicação Educativa Rádio da Vila possibilita, junto à Escola Pluricultural Odé Kayodê, o desenvolvimento da escrita, da leitura e da expressão verbal, além de ser um espaço de reflexões, criação e difusão de saberes.
 
Assim, a Rádio da Vila é um meio de comunicação educativo, lúdico, que inclui a participação das crianças em todas as etapas do processo (criação e planejamento, captação e edição dos programas), possibilitando vez e voz à infância, respeitando as crianças como sujeitos completos, que tem suas opiniões, sua criatividade e que são capazes de realizar algo significativo que impacta a vida de outras pessoas por meio da radiodifusão.
 
Com a metodologia usada, são trabalhados temas como identidade, gênero, orientação sexual, entre outros, sempre estimulando o diálogo em situação de igualdade entre crianças e adultos. A Escola Pluricultural Odé Kayodê atua com base no diálogo, valorizando atividades em círculo.
 
Amigos da Rua – O Projeto “Rede de Vizinhos Amigos da Rua”, por sua vez, é implementado pela Faculdade de Engenharia e Arquitetura da Fundação Mineira de Educação e Cultura (Universidade Fumec), de Belo Horizonte (MG).
 
O projeto envolve a comunidade da Vila Pindura Saia, no bairro Cruzeiro, em ações que estão mudando o perfil de ruas e praças, com ativa participação das crianças. Grafitagem em muros, árvores “vestidas” com tecidos multicoloridos e praças bem cuidadas e equipadas são alguns dos resultados já contabilizados pelo projeto.
 
O projeto tem como objetivo o combate às desigualdades, à segregação socioespacial e o estímulo cultural e multidimensional, adotando-se a perspectiva da criança na exploração de outras formas de conhecer, de mapear e atuar no espaço urbano.
 
Neste sentido investiga e atua com crianças do território por meio de uma abordagem urbanística socioantropológica a partir das seguintes questões: Por onde andam as crianças moradoras da Vila? Como as crianças veem o bairro? Como pensar uma cidade boa para as crianças? Como intervir nos espaços no sentido de fomentar a circulação autônoma das crianças pelos espaços do bairro?
 
Para isso, são realizadas ações com o objetivo de conhecer este contexto socioespacial na perspectiva das crianças e como elas se apropriam dos espaços a sua volta para realizar intervenção nos espaços na perspectiva das crianças.