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Especialistas advertem para ênfase à escolarização na Educação Infantil

Especialistas que lidam com questões educacionais estão advertindo para o que denominam “excessiva ênfase na escolarização” no âmbito da Educação Infantil no país. Uma Educação Infantil que, notam os profissionais, ainda está em construção, após a superação do período em que ela esteve muito associada à assistência social, à filantropia e ao cuidado das crianças.
 
A socióloga Maria Alice (Neca) Setubal, fundadora e presidente do Conselho do Conselho de Administração do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC) e do Conselho Consultivo da Fundação Tide Setúbal, entende que há avanços e muitos desafios no âmbito da Educação Infantil no Brasil.
 
Entre os avanços aponta, como determina a lei, a esperada universalização até 2016 do acesso das crianças de 4 e 5 anos à pré-escola. Esta universalização está prevista na Meta 1 do Plano Nacional de Educação (PNE), promulgado em junho de 2014. Apesar dos desafios para que a meta seja cumprida, Neca Setubal se mostra otimista.
 
A educadora nota, entretanto, que não basta o acesso à Educação Infantil, para as crianças de 4 a 5 anos na pré-escola e também para a creche, entre 0 e 3 anos. “É fundamental a qualidade na Educação Infantil”, ela afirma, destacando que a formação dos professores é um elemento central para que essa qualidade seja alcançada.
 
Com base em vários estudos já realizados, muitos deles pelo próprio CENPEC, a socióloga entende que parte relevante da formação dos professores deve ocorrer in locu, ou seja, na própria escola, e isso seria válido não só para a Educação Infantil, mas também para o Ensino Fundamental.
 
Para a fundadora do CENPEC, a escola é um espaço privilegiado para a formação de professores, pois atua como um centro de conhecimento, formando uma rede de aprendizagem. Do mesmo modo, a escola “reconhece a prática pedagógica como produtora de conhecimento e sistematiza o conhecimento e promove a reflexão e a produção”.
 
Neca Setubal entende que é preciso atenção em relação ao foco acentuado na escolarização na Educação Infantil. Ela considera que é necessário garantir o equilíbrio, de modo que seja assegurado “o espaço lúdico para a criança” dessa faixa etária. Esse espaço lúdico, complementa, “é uma realidade muito próxima da criança”, e que não deve ser fraturada.
 
Conhecimento do corpo – A dimensão lúdica, sobretudo nos aspectos associados ao conhecimento do corpo, é destacada por outra educadora com experiência em Educação Infantil, Márcia Strazzacappa, professora da Faculdade de Educação da Unicamp, em Campinas (SP). Ela trabalha com o uso da dança como ferramenta na educação e, entre outras iniciativas, coordenou o Projeto “Era uma vez uma história contada outra vez”, que entre outros pontos enfatizou o lugar da arte na Educação Infantil.
 
A dimensão corporal é essencial na Educação Infantil, entende Márcia Strazzacappa. Ela assinala que “é através do movimento que se verifica que o bebê não está saudável”. O corpo e o movimento são determinantes nos próximos estágios da Educação Infantil, complementa.
 
Para a educadora, é essencial que a Educação Infantil não dê ênfase excessiva à escolarização. “É preciso dar estímulo para que a criança possa explorar, para que ela mesma faça suas descobertas. Que experimente com o corpo, que explore vários espaços”, descreve.
 
De forma associada à questão corporal e sensorial, diz Márcia Strazzacappa, está a questão da relevância da arte na Educação Infantil. Nessa linha ela conta que o uso de historinhas musicadas é uma ótima ferramenta para a Educação Infantil. “A criança interpreta personagens, imita uma tartaruga, faz gestos e sons de um passarinho, e com isso ela descobre muitos aspectos de seu corpo e da vida. Ela aprende brincando”, completa a educadora, que mantém o canal “Histórias para criança” no Youtube.
 
 
 

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