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Seminário em São Paulo discutiu Gestão Integral e Integralidade da Infância

Gestão Integral e Integralidade da Infância: Caminhos para a Educação Infantil. Este foi o tema de seminário realizado no dia 12 de abril, em São Paulo, pelo Fundo Juntos pela Educação, composto pelo Instituto Arcor Brasil e Instituto C&A. Participaram mais de 100 pessoas, entre educadores, gestores e pesquisadores em infância e educação infantil.
 
A organização do seminário, realizado no Espaço Transatlântico, esteve a cargo da Oficina Municipal, contratada pelo Fundo Juntos pela Educação para a implementação do Programa Primeiro a Infância – Educação Infantil como Prioridade.
 
Como acentuou na mesa de abertura o vice-diretor da Oficina, Gustavo Santos, o seminário foi pensado como um espaço de reflexão e discussão a partir das experiências acumuladas em três anos de execução do Programa Primeiro a Infância. Entre 2015 e 2017, o primeiro ciclo foi implementado nos municípios pernambucanos de Camaragibe, Cabo de Santo Agostinho e São Lourenço da Mata. Um segundo ciclo está em curso nos municípios paulistas de Capivari, Mombuca, Monte Mor, Rafard, Rio das Pedras e Saltinho, também com execução técnica pela Oficina Municipal.
 
Ainda na mesa de abertura, a coordenadora de projetos socioeducativos do Instituto Arcor, Milena Drigo Azal, destacou a importância que o Fundo Juntos pela Educação dá para as parcerias, em todos os níveis, como essenciais para garantir os direitos das crianças, incluindo o direito à educação.
 
O Instituto C&A foi representado por sua gerente de Educação, Patrícia Lacerda. Ela evidenciou como, na formulação do Programa Primeiro a Infância, foi considerada a importância de ser ouvido o território onde ele estivesse atuando, de modo a que fosse garantido o “senso de pertencimento”, a participação e a identificação local com os seus objetivos. Já o representante da Fundação Arcor, Javier Rodriguez, ressaltou que a infância representa o compromisso central e a premissa de trabalho da organização. Daí a participação da Fundação em vários programas e projetos, próprios e em parceria, visando colocar a infância no centro da agenda pública.
 
Direitos e concepção da infância – Na primeira mesa de debates, a fundadora e diretora da organização Avante, de Salvador (BA), Maria Thereza Marcílio, afirmou que a integralidade da infância começa a ser respeitada quando se considera que a criança é um sujeito de direitos, é uma cidadã desde a sua vinda ao mundo. “Se acreditamos que os direitos humanos são inerentes então as crianças têm direitos. Os direitos não são uma doação dos adultos para elas. Eles estão presentes desde o nascimento”, afirmou, citando a educadora Ellen Hall, fundadora da Boulder Journey School e recentemente falecida.
 
Maria Thereza Marcílio comentou que a Boulder Journey School tornou-se uma referência em inovação e abordagem integral na Educação Infantil, em função do trabalho de Ellen Hall e outras educadoras. A escola localizada no Colorado, nos Estados Unidos, foi uma das instituições citadas no documentário que Maria Thereza Marcilio exibiu logo no início de sua apresentação, para subsidiar a discussão.
 
O documentário “Voices of Children” (que será lançado em julho no Brasil) foi produzido por um conjunto de organizações e buscou verificar como as crianças são em várias partes do mundo: em Salvador e em uma aldeia indígena brasileira, na Índia, em Cingapura, na África e nos Estados Unidos, precisamente em Boulder. As crianças aparecem correndo, rolando no chão, brincando, geralmente brincando, gozando de sua infância e aprendendo. “Com toda a rica diversidade existente, as crianças são iguais em todo mundo. Elas têm uma enorme potência e elas querem brincar, se expressar de diversas maneiras, usar o seu corpo para explorar a vida”, comentou a fundadora da Avante, sintetizando o que seria o sentido de sua apresentação.
 
Para ela, de fato o conteúdo do documentário ilustra muito bem os princípios orientadores para uma Educação Infantil integral: equidade (a busca incessante pela redução das desigualdades, através da ampliação das oportunidades educativas), singularidades e brincadeiras (reconhecendo o brincar como principal forma de compreensão do mundo), cuidar e educar (dimensões complementares e indissociáveis da Educação Infantil), inclusão (que ela não restringe apenas à inclusão das pessoas com deficiência, mas de forma ampla), participação (reconhecer as crianças como protagonistas e que, portanto, devem ser sempre ouvidas, “pois elas têm muito a dizer”), articulação com o território (envolvimento da família e comunidade no processo educativo) e sustentabilidade (perceber-se parte de um todo e capaz de impactar no cotidiano de cada pessoa).
 
A fundadora da Avante defendeu, então, uma Educação Infantil “que colabore para a construção do olhar da criança sobre si e o mundo”. Ela entende que, todas as dificuldades e limitações, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) representa avanços na Educação Infantil, ao destacar os Direitos de Aprendizagem e Campos de Experiência. Lamentou, entretanto, que a fundamentação da Base, presente no início da sua discussão, tenha sido retirada da versão final, apresentada pelo Ministério da Educação, aprovada pelo Conselho Nacional de Educação e homologada pelo ministro.
Avanços e dilemas da BNCC – Na mesma mesa de debates, Janine Schultz, coordenadora do Programa de Educação Infantil do Instituto C&A, comentou justamente a Educação Infantil no contexto da Base Nacional Comum Curricular, que entrou recentemente em vigor. Ela lembrou que a construção da BNCC foi caracterizada por um processo envolvendo vários marcos legais, desde a Constituição de 1988 até a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de 1996, e o Plano Nacional de Educação, de 2014.
 
O fundamental, afirmou Janine, é a garantia da criação ao direito à Educação desde o nascimento. O direito à educação, salientou, entendido não apenas como o acesso, mas também a uma educação de qualidade e ao desenvolvimento integral.
 
Em seguida, comentou os Direitos de Aprendizagem inscritos na BNCC, no âmbito da Educação Infantil: Conviver, Brincar, Participar, Explorar, Expressar, Conhecer-se. Para que esses direitos sejam assegurados, foram indicados os Campos de Experiências, que a Educação Infantil deve contemplar: O eu, o outro e o nós; Corpo, gestos e movimentos; Traços, sons, cores e formas; Escuta, fala, pensamento e imaginação; e Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações.
 
“Não dá para falar de um Direito de Aprendizagem ou de um Campo de Experiência de forma isolada. Todos estão relacionados”, alertou Janine, que também ressaltou, como Maria Thereza Marcílio já havia feito, o papel essencial do brincar para o desenvolvimento integral da criança.
 
Para ela, a concepção de criança já sinaliza os rumos que a Educação Infantil deve tomar. Nesse sentido, citou a concepção indicada nas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil, de 2009: “Sujeito histórico e de direitos, que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura”.
 
Para Janine Schultz, é fundamental que sejam respeitadas as características das diferentes fases da vida da criança, desde o nascimento até os cinco anos de idade. Do mesmo modo, entende que devem ser consideradas as singularidades e a diversidade das crianças, com seus diferentes ritmos e processos de desenvolvimento.
 
O protagonismo é igualmente crucial, destacou. A criança, nessa visão, deve ser sujeito da própria aprendizagem e desenvolvimento. E aprendizagem, por sua vez, considerada como um processo pelo qual a criança se constrói.
 
O que seria então o desenvolvimento integral da criança? Para Janine, a integralidade contempla uma concepção integral e integrada de aprendizagem e desenvolvimento, com a integração das dimensões intelectual e afetiva e a interação da criança com outras crianças e adultos. “As interações e as brincadeiras proporcionam experiências por meio das quais as crianças constroem e se apropriam de conhecimentos”, reiterou.
 
Ela também comentou a relevância do cuidar e do educar como essenciais na Educação Infantil. “Momentos de cuidados são fundamentais para a construção da criança enquanto indivíduo, pois é o momento do bom trato, aquele em que a criança pode ser tratada de forma individual”, observou.
 
Ressaltou, ainda, a importância da relação entre família e escola, da necessidade de efetiva participação das famílias na vida escolar. Janine Schultz, evidenciou, também, a relevância da melhoria da formação dos profissionais para a Educação Infantil. “A Educação Infantil aparece de forma muito tímida nos cursos de pedagogia e formação de professores em geral”, lamentou. Na educação infantil, concluiu, o professor deve ser “um mediador do processo desenvolvido pelas crianças, aquele que cuida e educa ao mesmo tempo”.
 
 
 
 

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