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A Educação Infantil em Capivari: escolas e profissionais empenhados

Frase em corredor da EMEI "Professora Maria do Carmo Amaral" (Fotos José Pedro Martins)

Foi com incontida emoção que Regina Aparecida de Campos Amâncio entrou mais uma vez na Escola Municipal de Educação Infantil “Rosa Amadio Balan”, na Vila Balan. Foi nesta escola que Regina deu seus primeiros passos como professora na Educação Infantil de Capivari. “Hoje muitas das crianças naquela época, agora pessoas formadas e com suas famílias, me param na rua e me cumprimentam. É muito bom ver que contribuímos com o desenvolvimento de muitos cidadãos”, conta Regina, atual Supervisora de Ensino da Educação Infantil no município.

Com seu testemunho, a educadora reafirma um conceito fundamental, o de que a Educação Infantil deve ser cada vez mais reconhecida como a primeira e essencial etapa do sistema educacional e, como tal, deve ser mais valorizada pela sociedade em geral. A própria Regina Amâncio assinala que tem percebido esse olhar mais atento para a Educação Infantil.

“Antes a Educação Infantil era mais um espaço ligado ao cuidado, era vista como um lugar para os pais deixarem as crianças para poderem trabalhar. Agora, ligada de fato às Secretarias da Educação, a Educação Infantil é realmente vista como momento fundamental para o desenvolvimento integral das crianças”, resume a supervisora.

Primeiras escolas em Capivari – As primeiras escolas municipais de educação infantil de Capivari datam dos anos 1970/80. Uma das primeiras delas é a EMEI “Benedita Gonçalves Quagliato”, que funciona desde 1984 no prédio atual, no bairro Santo Antônio.

Várias EMEIs foram inauguradas na segunda metade da década de 1990, como decorrência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, e do processo de municipalização incentivado pela própria Constituição Federal, de 5 de outubro de 1988. A LDB foi a primeira lei educacional brasileira fazendo referência específica à Educação Infantil.

Um passo determinante para a municipalização foi a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF), instituído pela Emenda Constitucional n.º 14, de setembro de 1996, e regulamentado pela Lei n.º 9.424, de 24 de dezembro do mesmo ano, e pelo Decreto nº 2.264, de junho de 1997. O FUNDEF foi implantado, nacionalmente, em 1º de janeiro de 1998, quando passou a vigorar a nova sistemática de redistribuição dos recursos destinados ao Ensino Fundamental.

Um avanço ainda maior viria com a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB), que passou a vigorar em janeiro de 2007 e deu um novo estímulo à Educação Infantil no Brasil.

Neste cenário, e sobretudo em decorrência da LDB e da nova Constituição, foram criadas em Capivari as EMEIs “Cecília Cerezer Riccomini” (bairro Santa Rosa) e “Emilia Benvenuto Ortolani” (bairro Castellani), de 1996, e “Alcina de Almeida Soares” (Engenho Velho) e “Guerino Padovani” (bairro Padovani), de 1997.

Em 2018, a rede municipal conta com 11 EMEIs, além de abranger cinco das 18 escolas de ensino fundamental que têm salas de Educação Infantil. São mais de 2 mil alunos na Educação Infantil.

“Consideramos a Educação Infantil como determinante para o desenvolvimento da criança e procuramos sempre melhorar”, afirma a secretária municipal de Educação de Capivari, Marilia Aparecida Cardoso de Oliveira.

Lucineia de Moraes Maciel: “Amor, paciência, dedicação”
Lucineia de Moraes Maciel: “Amor, paciência, dedicação”

 

A rede municipal – A valorização das profissionais que trabalham na Educação Infantil é muito importante, de forma associada ao bom funcionamento das unidades, com brinquedos, alimentação e todos os recursos necessários, acrescenta a secretária Marilia de Oliveira.

O empenho das educadoras é visível em todas as unidades, como no caso da EMEI “Professora Maria do Carmo Amaral”, no bairro Morada do Sol. Inaugurada em 1992, a colorida EMEI apresenta, em um dos corredores, a frase: “Ser criança é viver um sonho e acreditar num mundo cheio de esperança”.

Esperança é um sentimento vivenciado por toda escola, que conta com cerca de 180 alunos, como na sala onde a professora está estimulando as crianças, devidamente trajadas de avental e cobertura para os cabelos, a fazer uma “sopa do neném”, com vários ingredientes. Ou no parquinho nos fundos da escola, com vários pequenos balanços.

A professora Zilda Bezerra Silveira, do Pré-II, sintetiza o sentimento que a educadora de Educação Infantil tem. “É notável como em um ano eles se desenvolvem, em vários aspectos. A mudança de comportamento, de atitude, é muito gratificante”, diz a professora.

Na EMEI “Cecília Cerezer Riccomini”, que atende cerca de 150 crianças, a percepção é a mesma, como mostra o depoimento de Lucineia de Moraes Maciel, pajem há 26 anos. “Amor, paciência, dedicação”, segundo Lucineia, são os pilares da profissional que lida com a Primeira Infância há tantos anos. Uma das consequências é que Lucineia se tornou madrinha de batismo e casamento de várias crianças de quem ela ajudou a cuidar.

Os olhos brilhando são os mesmos em Rosane Rios, professora de inglês na mesma EMEI. “É muito importante ter o inglês como segunda língua na Educação Infantil, a criança começa a vivenciar o que terá pela frente depois”, defende a educadora.

Em uma das salas da EMEI “Cecília Cerezer Riccomini”, a introdução das crianças no mundo natural. Na parede, fotos e informações sobre os “animais de jardim”, como joaninhas, borboletas, formiguinhas e abelhinhas.

Parquinho e pomar na EMEI “Benedita Gonçalves Quagliato”
Parquinho e pomar na EMEI “Benedita Gonçalves Quagliato”

As crianças e sua relação com o meio ambiente, como pode ser igualmente observado em duas EMEIs de perfis diferentes, uma das pioneiras e aquela mais nova. Entre as pioneiras está a EMEI “Benedita Gonçalves Quagliato”, no atual prédio desde 10 de julho de 1984, mas que tem uma trajetória ainda mais longa. Ela funcionou durante muito tempo em outro prédio e até em dependências de uma Igreja próxima.

.A EMEI conta com um bom espaço externo, onde estão brinquedos como escorregador, balanço e carrossel, e a coordenadora Karina Munaro não hesitou em plantar mudas de amora, ameixa, pitanga e maçã, entre outras frutas, para adicionar alimentos ainda mais saudáveis às refeições oferecidas para os mais de 100 alunos. Agosto, mês do folclore, a unidade está repleta de referências de alguns personagens da cultura popular brasileira, como o Saci.

Estagiária na EMEI “Benedita Gonçalves Quagliato”, Mônica Nogueira de Carvalho Lopes conta como é a experiência de trabalhar com as crianças. “É o momento mais precioso da vida. Trabalhar com as crianças, é isso mesmo o que eu quero fazer”, afirma Mônica, quase formanda em Pedagogia, confirmando como atuar na Educação continua sendo um projeto de vida para muitas pessoas, apesar de todos os desafios representados pela profissão.

Creche Nossa Senhora Rainha da Paz é uma das novas unidades
Creche Nossa Senhora Rainha da Paz é uma das novas unidades

Por sua vez, a Creche Nossa Senhora Rainha da Paz é a mais nova unidade de Educação Infantil no município. Foi inaugurada em 29 de maio de 2015 e construída com apoio da iniciativa privada. Ao contrário das demais unidades, instaladas em prédios adaptados, a Creche foi projetada para a sua finalidade. Banheiros com pias e vasos na altura das crianças, salas igualmente equipadas e amplo espaço externo, que deverá receber novos recursos de acordo com o projeto da unidade.

A ampliação do universo cultural das crianças é uma das preocupações da Educação Infantil em Capivari. É o que exemplifica a reprodução de uma obra de Tarsila do Amaral na parte frontal da EMEI “Rosa Amadio Balan”. Uma casa de bonecas e parquinho são outros recursos à disposição dos mais de 190 matriculados.

Arte na EMEI “Rosa Amadio Balan”
Arte na EMEI “Rosa Amadio Balan”

Programa Primeiro a Infância – As profissionais da Educação Infantil de Capivari estão considerando que o Programa Primeiro a Infância, do Fundo Juntos pela Educação, está representando mais um salto de qualidade, em benefício direto das crianças.

“O principal ganho é que a comunidade está ainda mais consciente da importância da Educação Infantil”, destaca a secretária municipal, Marilia Aparecida Cardoso de Oliveira. A supervisora de Ensino, Cristiane Rodrigues, entende que as unidades estão mais fortalecidas, com o processo deflagrado pela elaboração/revisão do Projeto Político Pedagógico, fio condutor do Programa Primeiro a Infância.

Coordenadora da EMEI “Professora Maria do Carmo Amaral”, Dayana Maysa Dias Maschietto destaca a abertura que foi dada para a participação dos pais e comunidade na discussão do PPP. “Os pais se sentem muito valorizados ao participar de um momento desses”, ela afirma.

O envolvimento dos pais e comunidade é também ressaltado por Sheila Scarso, coordenadora da EMEI “Cecília Cerezer Riccomini”. “Trabalhamos a questão do PPP com os educadores e também com os pais e crianças e todos ganham”, ela define.

A coordenadora da EMEI “Rosa Amadio Balan”, Sara Fagundes Quibao, acredita que em função do processo participativo de revisão/elaboração do PPP, ficará mais forte o vínculo da unidade com a comunidade local, “que já ajuda muito”.

Coordenadora da EMEI “Benedita Gonçalves Quagliato”, Karina Munaro reconhece ter ficado um pouco apreensiva no início, mas aliviada com o sucesso do encontro com os pais para discutir o Projeto Político Pedagógico. “Foi muito interessante o relato de um pai, que disse que não sabia o tanto de trabalho que tínhamos. A comunidade conhece um pouco mais o que fazemos e nós procuramos trabalhar juntos”, assinala a coordenadora, para quem o Plano de Ação do PPP será muito importante ao definir as metas que podem ser cumpridas por cada unidade, de acordo com sua realidade própria.

Há tanto tempo trabalhando na área da Educação Infantil. A coordenadora Regina Aparecida de Campos Amâncio demonstra otimismo com os avanços derivados do Programa Primeiro a Infância. “A visão sobre infância, sobre a importância das brincadeiras, está cada vez mais sólida. A Educação Infantil de Capivari vai melhorar ainda mais”, acredita Regina, resumindo um sentimento comum entre as educadoras envolvidas.

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