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Educação Infantil em Monte Mor: a busca permanente da qualidade

Na sala com lousa digital, experiências com cores e líquidos (Fotos José Pedro Martins)

A pequena Talita, de 5 anos, montou com tranquilidade o seu prato do dia no self-service da Escola Municipal “Leonardo Rodrigues da Silva”. O incentivo ao protagonismo das crianças é uma das marcas da maior unidade de Educação Infantil de Monte Mor, no interior de São Paulo.

Com 650 alunos, a escola localizada no Parque Residencial São Clemente é uma síntese da trajetória da Educação Infantil no município. Em uma das cidades que mais cresceram no estado nas últimas duas décadas, a rede foi ampliada e se estruturou para atender a uma demanda sempre em expansão.

A história da Educação Infantil em Monte Mor começou a mudar em 1990, quando deixou a área da Assistência Social e foi incorporada pela Educação. Como explica a supervisora de Ensino do Município, Simone Zanetti, uma das características da Educação Infantil local sempre foi o tempo integral nas creches. As primeiras sete unidades de EI já ofereciam o tempo integral, justamente como resposta ao perfil da cidade, em que grande parte da população se desloca diariamente para outras localidades para trabalhar. A demanda por creches já era, portanto, crescente.

E continuou crescente, com o avanço demográfico. Entre 1991 e 2000 a população cresceu a uma taxa média anual de 4,30%, contra um crescimento demográfico de 1,78% no estado de São Paulo e de 1,63% no Brasil no mesmo período. Entre 2000 e 2010, o crescimento populacional em Monte Mor foi de 2,74% ao ano, em comparação com o 1,17% no Brasil no período. Com isso a população saltou de 25.559 em 1991 para 48.949 em 2010. Em 2018 a cidade tem uma população de 57.423 habitantes, nas estimativas da Fundação Seade.

Supervisora Simone Zanetti e equipe da EM “Leonardo Rodrigues da Silva”

Com a maior população, a demanda por creches se manteve alta. Das 18 escolas de Educação Infantil no município, 17 têm creche. No total são 3450 alunos, sendo 1650 em creches e 1800 na pré-escola. A universalização das matriculas entre as crianças de 4 e 5 anos é uma das conquistas obtidas pela Educação Infantil local.

A demanda continua em alta e, para isso, o município tem buscado parcerias para ampliar o atendimento. Recentemente, foi firmado um convênio com o governo estadual, para a construção de uma nova creche, também na populosa região do São Clemente.

A supervisora Simone Zanetti observa que a Educação Infantil avançou e se consolidou em Monte Mor, com a municipalização a partir de 2005. Em 2007 foi oficializado o Estatuto do Magistério. Dois anos depois foram aprovadas as Diretrizes Curriculares da Educação Infantil locais, com a consequente elaboração de projetos político pedagógicos (PPP) pelas escolas.

A secretária municipal de Educação, Marli Eliza Brischi Domingues, nota que o município está agora atento aos desdobramentos da Base Nacional Comum Curricular, em vigor desde o início de 2018. “Estamos participando da discussão sobre o currículo estadual. Em 2019 devemos começar a debater o currículo municipal”, informa a secretária.

Marli Eliza Brischi Domingues acentua que, neste contexto, tem sido muito relevante a contribuição do Programa Primeiro a Infância – Educação Infantil como Prioridade, do Fundo Juntos pela Educação, do qual Monte Mor é um dos parceiros. O fio condutor do Programa é a elaboração ou revisão do Projeto Político Pedagógico de modo participativo. “O PPP é muito importante para a escola, pois reflete a sua realidade, as suas práticas pedagógicas e os seus objetivos, onde a escola pretende chegar”, resume a secretária.

Diretora Andressa e o troféu concedido pela comunidade

Aprender brincando – Aprender brincando é uma das linhas das práticas pedagógicas em curso em Monte Mor e a EM “Leonardo Rodrigues da Silva” é um emblema, como afirma a sua diretora, Andressa de Sousa Rodrigues Mesko.

Outra característica, destaca a diretora, é a relação direta e permanente com a comunidade onde a escola está instalada. Um exemplo é o projeto de alimentação saudável, visando o maior consumo de verduras, legumes, hortaliças e frutas pelas crianças.

Nos finais de semana, conta a diretora, um aluno leva um livro de anotações para casa. O que foi preparado em casa em alimentação saudável é registrado no livro e na volta para a escola é compartilhado com os colegas.

Para estreitar ainda mais o contato com a comunidade, foi criado um grupo no Facebook, com adesão crescente entre os pais. A diretora mostra ainda com orgulho um troféu conquistado pela escola, concedido pela própria comunidade. “É um reconhecimento do nosso trabalho”, comenta a diretora.

Nas salas de aula e demais espaços da EM “Leonardo Rodrigues da Silva”, é notável o empenho das cerca de 100 profissionais que atendem as crianças, entre professoras, cuidadoras e outras colaboradoras. É o caso da professora Michele Vieira Mascarenhas, que coordena a montagem de um bolo com seus alunos, com base na história da “Galinha Ruiva”. “Com essa atividade trabalhamos questões de linguagem e matemática, e ao mesmo tempo de cooperação, respeito e dos sentidos usados na fabricação do bolo”, resume a professora, enquanto Murilo, Maria Eduarda e Nicole, de 5 anos, vão “fazendo o bolo”, sob o olhar atento dos colegas.

Professora Luciana trabalha noções de linguagem

Em outra classe, é a vez da professora Luciana Paulina orientar uma atividade de distribuição dos alunos em diversos cantinhos, cada um com seus encantos e brincadeiras e aprendizados. Os alunos fazem o rodízio entre os cantinhos, até chegar na mesa onde a professora trabalha com noções de linguagem. “Sempre estamos buscando uma aprendizagem de forma lúdica”, salienta a coordenadora pedagógica da escola, Ana Paula Rodrigues de Oliveira.

De modo lúdico os alunos da professora Maria Santa Albuquerque vão aprendendo questões ligadas aos cinco sentidos. De olhos vendados, os alunos experimentam cheiros, texturas, gostos e outras sensações.

Professora Maria Albuquerque orienta atividade com crianças de olhos vendados

A mágica da natureza é, por sua vez, o tema da atividade da professora Evenei Oliveira dos Santos Barbosa. Ela junta água com óleo, mistura cores nos líquidos e o resultado é o prazer nos olhos das crianças, distribuídas em uma sala equipada com lousa digital e muitos outros equipamentos pensados para estimular a curiosidade, a exploração.

São muitos os prazeres e tesouros distribuídos nos amplos espaços da Escola Municipal “Leonardo Rodrigues da Silva”, que ainda conta com parquinho, pomar e horta. Na creche, os berçários acolhem os bebês, ativos ou sonolentos, mas sempre preparados para novas descobertas.

Desfile de fantasias na EM “Dona Maria Vialta Bertos”

Desfile de fantasia – O prazer também está presente nos ambientes da Escola Municipal “Dona Maria Vialta Bertos”, no Jardim Paulista. A escola conta com 280 alunos de 0 a 3 anos. São cerca de 50 profissionais no atendimento, sob a orientação da diretora Márcia Scaranello de Freitas.

Todas as atenções estão voltadas, nessa tarde de outubro, para o esperado desfile de fantasias, na área central da escola. Pequenos super-heróis, bailarinas, fadas e bruxas em profusão, cada um aguardando a sua vez e desfilando sob aplausos dos colegas e das animadas educadoras.

Quem não está no desfile, participa da sessão de cinema com pipoca, em uma das salas de aula. “Estimular a imaginação, a fantasia, a criatividade”, diz a professora Aldenir Freires, devidamente vestida de bruxa para uma contação de histórias.

Hora de assistir cineminha comendo pipoca

A brinquedoteca e a biblioteca são atrações à parte na EM “Dona Maria Vialta Bertos”. O projeto de utilização da biblioteca, fruto da parceria da escola com o Instituto Brasil Leitor (IBL) e com patrocínio da Tetra Pak, já representou o município no 1º Encontro Internacional por um Brasil Leitor, realizado em 2015 em São Paulo. “As crianças levam os livros para casa, os pais participam e assim a família interage com a escola. O processo de ensino e aprendizagem vai se formando”, resume a diretora Márcia Scaranello de Freitas.

A rede de Educação Infantil em Monte Mor está atenta aos novos desafios da sociedade contemporânea. E contribui com o desenvolvimento integral das crianças. O município apareceu em primeiro lugar no ranking, entre os 20 municípios da Região Metropolitana de Campinas, do Índice Paulista da Primeira Infância (IPPI), elaborado pela Fundação Seade. O IPPI de Monte Mor em 2015 foi de 0,818, o que colocou o município no grupo de Índice “muito alto”, segundo a classificação da Fundação Seade.

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