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O exemplo de participação da Escola Amorim Lima, de São Paulo

Representantes de Capivari e o relato do processo nas escolas (Fotos Divulgação)

Abrir as portas para a comunidade participar e se apropriar da escola como espaço público. O resultado é um amplo envolvimento das famílias e comunidade em geral e a melhoria permanente da qualidade do ensino e aprendizagem os alunos. Este foi o núcleo da conferência de abertura do Seminário Participação Social na Educação Infantil, em Piracicaba.

Ana Elisa Pereira Flaquer de Siqueira, diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Desembargador Amorim Lima, localizada no Butantã, em São Paulo, lembrou que a experiência participativa teve início quando o secretário municipal da Educação de São Paulo era o educador Paulo Freire. “Ele é o maior símbolo da busca da participação social nas escolas e nesse sentido foi um grande incentivador”, sublinhou.

A diretora Ana Elisa de Siqueira resgatou a experiência da Amorim Lima

Ana Elisa também notou que um dos motivos pelo êxito da experiência da Escola Amorim Lima é a continuidade por anos do mesmo projeto e do mesmo direcionamento. “É muito importante a continuidade das pessoas e sobretudo das ideias, para que experiências inovadoras não sejam interrompidas”, acentuou, em referência à habitual mudança de pessoas e especialmente de direcionamentos no âmbito da Educação pública em São Paulo e no país.

A diretora admitiu que a abertura total das portas da escola para a sua comunidade demandou inicialmente uma mudança de postura dos próprios profissionais da instituição, inclusive dela. Entretanto, depois que as portas foram abertas, “a comunidade abraçou e se apropriou da escola como um espaço público, em benefício de suas crianças”.

O primeiro passo para o incremento da participação da comunidade, contou, foi a constituição de um grupo de mães para ir uma vez por semana à escola, contribuir em atividades de limpeza, na distribuição da merenda escolar e cuidado das crianças no recreio. “Pouco a pouco as mães e os pais foram chegando, conhecendo a escola, vendo que ela tem muitos problemas, passando a olhar aquele espaço de uma outra perspectiva”, lembrou, acrescentando que “da parte dos educadores fomos reconstruindo a teoria a partir da prática”.

Ana Elisa de Siqueira também evidenciou a relevância das ideias e conceitos da Escola da  Ponte, de Portugal, nos rumos tomados pela Escola Amorim Lima, do Butantã. “O escritor Rubem Alves sempre falava da necessidade de mudar a escola, de quebrar os seus muros, e ele foi conhecer de perto a experiência da Escola da Ponte. Tudo isso nos ajudou”, lembrou.

Um primeiro projeto da escola, com a participação da comunidade, recordou, foi na área de cultura. E o projeto foi apresentado à Secretaria Municipal de Educação, para validação, por um pai cadeirante. “Foi um momento especial e muito simbólico. A partir dali as famílias foram participando cada vez mais dos projetos da escola”, relatou.

Atualmente, acrescentou a diretora, a escola paulistana tem um projeto pedagógico diferenciado, com inovações como autoavaliação pelos alunos e um Conselho Pedagógico, formado por educadores e representantes da comunidade, que se reúne regularmente. Além disso, são várias as comissões constituídas por famílias de alunos, como as comissões de festas e de comunicação, consolidando um trabalho que não será interrompido, mesmo com eventuais modificações de ordem política.

Ana Elisa concluiu lembrando que a Escola Amorim Lima tem trabalho de forma consistente a questão cultural, por exemplo com contatos permanentes com a cultura indígena e afrodescendente. “A escola foi a primeira a ser considerada como ponto de cultura, quando Gilberto Gil era ministro da cultura. E mantemos sempre um trabalho intenso com a questão cultural, pois é fundamental para a formação da identidade das crianças e para sua cidadania”, destacou.

Um dos projetos na área de cultura, explicou, tem a parceria com os índios Guarani de Parelheiros, no município de São Paulo. Na área da cultura afrodescendente, há anos a escola mantém um projeto de capoeira. Também existe um  projeto de educação ambiental e a Biblioteca Aberta para a comunidade, que é de gestão das famílias, informou a diretora.

“Buscamos a formação integral de todos, das crianças, dos educadores e das famílias, como um processo contínuo de consolidação da cidadania. Mas é um processo longo, que demanda perseverança, mas muito rico para todos. É maravilhoso ver a transformação de cada um e de todos”, concluiu Ana Elisa Siqueira.

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